Uma Palavra

texto uma palavra1

Uma palavra após a outra

São como passos

Uma

Outra

Respiração compassada

Buscando dentro de mim

Tudo de novo

Traduzindo

Identificando

Escaneando

Uma palavra para as notícias do jornal

Que me atingem como soco no estômago

Jovens apanham porque querem uma educação melhor

Enquanto corvos bicam a chefe da nação

Como pássaros de Hitchcock

Uma palavra

Para quem não quer entender nada

E insiste em estar certo

Enquanto você grita não, não, não

Uma palavra

Que sai engasgada

De dentro do meu coração

Que é corinthiano

Que é frio e racional

Aquariano

Que também sofre, quer, esperneia

Ama

Uma palavra

Para descrever o livro que está lendo

E o espanto eterno diante de um verso novo

Drummond, Pessoa, Bandeira

E o mundo é outro e eterno de novo

Uma palavra

Para os amigos que somem

Para os amigos que a vida consome

Para aqueles de longe

Mas que estão tão perto

Meu Deus, uma palavra

Para Te Louvar

Para dizer que provavelmente sem Ti

Eu não seria nada

Uma palavra

Para estes versos modernistas

Uma palavra

E eu só preciso de uma

Para toda a tessitura ser trançada mais uma vez

 

Poesia & Poema

poetas

 

Oi! Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre poesia e poema. Não sei quantos gostam, mas eu admiro bastante e gostaria de dividir com vocês algumas produções que eu curto.

Apesar de a gente convencionar tratar poesia e poema como a mesma coisa, na verdade, a literatura faz uma divisão: poesia seria mais uma característica lírica, a forma como você trabalha as palavras. Assim, encontramos poesia em textos em prosa, em músicas, e até em outras produções artísticas. Já o poema é um formato em que trabalhamos a linguagem com poesia, e também de forma diferente da prosa, com a disposição em versos, rimas, estrofes, buscando o ritmo ( mas isso não é obrigatório).

Eu lembro que, de verdade, só fui me interessar mesmo por poemas no último ano da escola. Foi quando eu descobri Frenando Pessoa e Drummond. A partir daí, também passei a gostar de Manuel Bandeira, Mario Quintana, Álvares de Azevedo. Ensinando eu descobri mais a respeito de Vinícius de Moraes, Gregório de Matos, Cecília Meireles e Oswald de Andrade, também.

O que eu mais gosto de dizer é que a poesia me ajudou e sempre vai me ajudar a ver os melhores ângulos de tudo a minha volta. Sabe, analisar com profundidade, reflexão… ela tem um dom de nos abrir para diferentes percepções. Bem, eu vou mostrar para vocês trechos de alguns dos meus poemas favoritos, e também indicar alguns livros muito bacanas. Tomara que vocês curtam 🙂

1. Tabacaria (Fernando Pessoa – porém assinado como um dos seus heterônimos, Álvaro de Campos)

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

 À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Disparadamente, meu poema favorito! Ele é enorme, intenso, e ainda me lembro da primeira vez que o li. É do tipo de coisa que te instiga, que toda vez que você lê sempre parece trazer algo novo e especial. Este é um áudio com a narração de “Tabacaria” na íntegra:

2. Além da Terra, além do Céu ( Carlos Drummond de Andrade)

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
Drummond é in-crí-vel! Escolhi este poema porque é um dos que eu mais gosto dele, e porque lembro que foi um dos primeiros que li. Vale a pena ler tudo dele!
3. Vou-me embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira)

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que quero

Na cama que escolherei

Manuel Bandeira deve ser o poeta mais “fofo” que o Brasil já teve. Com uma obra que atravessou gerações e que não se prendeu a um único tipo, toda a beleza e a delicadeza podem ser encontradas nos seus escritos.

4. Se eu morresse amanhã ( Álvares de Azevedo)

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que dove n’alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

 Se você não conhece nada dos poemas feitos no Brasil durante a Segunda Fase do Romantismo, vai estranhar o tom sombrio, melancólico e desesperançado que marcava os trabalhos desta época. Álvares de Azevedo foi o maior expoente dessa geração que carrega o nome de “mal do século”. Ah, e eu tenho que compartilhar este vídeo com vocês! rsrss Um resumo bem “rock n’ roll” sobre este poeta tão especial:

5. Nel Mezzo del Carmin (Olavo Bilac)

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha…

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

Um dos nomes mais conhecidos da nossa poesia, Olavo Bilac mostra-se mais sensível do que a maiorias dos poetas parnasianos do seu tempo. Aliás, ele era conhecido como o “príncipe dos poetas brasileiros”.

Livros de poesia  #Recomendo

Sentimento do mundo (Drummond): terceiro livro do poeta mineiro, retrata a perplexidade perante aos anos que marcaram a Segunda  Guerra Mundial.

Toda Poesia (Paulo Leminski): “O volume resgata a trajetória poética completa do autor curitibano, desde clássicos como Distraídos venceremos e La vie en close, passando por raridades como Quarenta clics em Curitiba, até versos já fora de catálogo. Estão lá o haikai, a poesia concreta, o poema-piada oswaldiano, o slogan e a canção.” ( http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/50190)

Melhores Poemas de Fernando Pessoa ( organizado por Teresa Rita Lopes): esta é uma antologia formada pela maior estudiosa da obra pessoana.

Livro de Sonetos ( Vinícius de Moraes): organizado pelo próprio autor, a primeira vez que foi lançado possuía 35 sonetos do “poetinha”, como ele era carinhosamente conhecido. Dez anos depois, ele acrescentou mais 25.

Lira dos vinte anos ( Álvares de Azevedo): único livro a reunir os poemas de Álvares, ele é dividido em três partes e “regido”, digamos, por duas personalidades antagônicas: Ariel e Caliban.

livros de poesia Continuar lendo