Dicas para o ENEM – Linguagens!

ENEM

Oi, pessoal! -Estamos estreando uma nova sessão no LA, Dicas ENEM, em que sempre vou colocar coisas bacanas sobre Linguagens para quem está se preparando para o exame mais concorrido pro Brasil ( aliás,  neste ano o ENEM será nos dias 5 e 6 de novembro, hein?). A dica de hoje é sobre a escola barroca, um movimento artístico e cultural que ocorreu nos séculos XVI e XVII, e influenciou a literatura, a pintura, escultura, arquitetura e a música. Aqui no Brasil, caracteriza-se por ter sido a primeira escola que realmente tem obras de valor artístico genuinamente brasileiras, como os sermões do Padre Antônio Vieira e os poemas de Gregório de Matos. Uma dica de leitura para você entender melhor este período é o livro Boca do Inferno, de Ana Miranda, olha só:
Boca-do-inferno_ Ana MirandaBoca do Inferno é um romance que tenta mostrar uma terra marcada pela libertinagem, corrupção e luta pelo poder. Ana Miranda usa no livro diversas palavras e expressões tidas como chulas, com tom de critica à sociedade, que fazem referência a sátira de Gregório de Matos, um poeta do século XVII conhecido pelo apelido Boca do Inferno ou Boca de Brasa que fazia criticas ferrenhas a sociedade baiana da época. Ele faz parte da obra como um dos personagens. ( http://www.coladaweb.com/resumos/boca-do-inferno)

Abaixo, um infográfico que preparei para você saber o essencial sobre o Barroco:

barroco

Resenha de A Casa das Marés

casa marés

A escritora britânica Jojo Moyes é uma das de que mais gostei de ler nos últimos tempos – peguei um amor imenso por ela ao ler Como eu era antes de você.

Tratei logo de engatilhar mais leituras dela e foi uma grata surpresa ler A Casa das Marés tão rápido no início do ano. A escrita da Jojo é assim: pega você e te faz fácil, fácil, ler umas 100 páginas sem perder o fôlego. Ela alia a fluidez narrativa a um certo lirismo, boas descrições e tramas com dramas humanos palpáveis. Sua fonte de inspiração é o dia a dia, são as pessoas com suas histórias aprendendo a enfrentá-las, vencendo seus medos.

Em A Casa das Marés, a narrativa inicia na década de 1950 e depois dá um pulo para os anos 2000. No passado, conhecemos Lottie Swift, uma garota que foi criada “praticamente como filha” por uma família abastada da cidade litorânea de Merham, no litoral inglês, após Londres sofrer com os ataques da Segunda Guerra Mundial e de ela passar por maus tratos causados pela mãe e os companheiros que ela arranjava.

a casa das marésLottie fazia companhia à filha mais velha da família, Celia Holden, uma jovem bonita, atraente, sedutora e que sempre teve vontade de ir embora dali. Um dia, chegam à cidade pacata um grupo de pessoas “exóticas”, artistas e bom vivants, para morarem na Arcádia, uma casa enorme, branca, de estilo arquitetônico ousado que ficava bem perto da praia e de um penhasco.

Curiosas, as garotas vão bisbilhotar e, aos poucos, tornam-se fascinadas pelas pessoas que moram lá. Há um intenso fluxo de visitantes, e lá moram Adeline, uma atriz misteriosa, Frances, uma pintora, com quem a atriz não consegue viver um romance conforme a outra queira; George, que tratava de assuntos financeiros e Julian, um rico empresário do ramo artístico que era casado com Adeline. Lottie se apega muito a eles, principalmente após Celia ir estudar Secretariado na “cidade grande”. Morena, bela e de gênio forte, ela se sente acolhida por Adeline, que se torna sua amiga. Quando Celia volta, esta amizade e as visitas à Arcádia é que vão ajudar Lottie, pois ela se vê incorrigivelmente apaixonada pelo noivo que a “irmã” traz à tiracolo, Guy.

Lottie sofre por amá-lo, é desesperador, ao passo que ele também se vê amando a garota que seria praticamente a sua cunhada. Na casa enorme e misteriosa, Frances pinta um mural em que representa as pessoas que vivem naquele lugar, e pinta os dois jovens, capturando toda a paixão que existe entre eles, apesar de fazerem de tudo para contê-la. Porém, o inevitável acontece: eles transam, se deixam levar pelo sentimento, e tramam um jeito de fugir. Só que Celia confessa estar grávida, e, incapaz de destruir o futuro casamento, Lottie vai embora…

Devo confessar que achei a primeira parte bem amarrada, envolvente e a mais divertida da história. Guy tinha um jeito encantador mesmo, você torce pelo amor dele e de Lottie. Na segunda parte, nos dias atuais, a autora quebra o ritmo, introduzindo a história de Daisy Parsons, uma designer que acabou de ter um bebê e que foi abandonada pelo namorado. Desesperada, ela vê como uma boa saída aceitar o projeto oferecido por Jones, um ricaço que quer fazer da Arcádia um hotel de luxo.

Nesta parte, o livro começa a criar “barriga”: existem partes que poderiam ser retiradas sem que afetassem a história, e, na minha opinião, os personagens não são tão cativantes quanto os da primeira parte. Daisy é uma chorona derrotista até se aprumar, o que cansa, porque ela chora quase o tempo todo; Lottie, que vende a casa a Jones ( após tê-la herdado de Adeline), se torna muitas vezes uma velha mordaz; e os dramas pessoais da filha dela, Camille, com o marido, meio que também “enchem linguiça” em vários pontos do livros. Mas, quando a narrativa volta ao passado para esclarecer melhor as decisões da vida de Lottie, pega no ritmo, assim como quando Daisy para de chorar e decide agir.

É uma leitura rápida, envolvente; a primeira parte se mostra superior à segunda, mas mesmo assim, é um livro bonito, que fala sobre deixar a vida seguir, aprender com seus erros e tornar-se alguém melhor.

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Gente, infelizmente, no último dia 14 perdemos Alan Rickman, o intérprete de Severo Snape na versão cinematográfica de Harry Potter. Ele era um ator talentosíssimo, premiado e um dos melhores em atividade na Inglaterra. Nenhum outro poderia ter encarnado tão bem a personalidade complexa e amargurada de um homem como o professor de Poções que fez tudo o que estava ao seu alcance em nome do amor que sentia por uma bruxa. Uma notícia muito triste, mas, a cada vez que assistirmos HP, celebraremos tudo o que Alan deixou e foi.

Resenha: Minha Última Duquesa

minha última duquesa

Olá!

A resenha de hoje é sobre um livro que eu adorei ler por ser bastante preciso nas descrições e ambientado no riquíssimo período do final do século XIX: Minha última Duquesa, de Daisy Goodwin ( editora Fundamento).

Não conhecia escritora, mas na descrição da orelha do livro descobri  porquê ela manda tão bem na narrativa: ela trabalhou na BBC como produtora, fez filmes sobre personalidades da literatura e, hoje em dia, além de escrever, também é apresentadora de TV no Reino Unido.

Minha última Duquesa narra a história de Cora Cash, que é simplesmente “a garota mais rica da América”. Sua família construiu um império empresarial nos EUA no final do século XIX ( a história inicia-se em 1893), e ela era uma das joias da sociedade de Newport, Nova York. Sua mãe, a sra. Cash, uma mulher extremamente arrogante e egocêntrica, além de ver a filha como centro das atenções, desejava mais: que ela tivesse um título de nobreza.

Nesta época, era comum que as herdeiras americanas fossem à Europa atrás de um marido que pudesse lhes dar títulos como condessa, duquesa, marquesa ( e, quem sabe, até princesa?!). Como muitas americanas, foi montada no dinheiro que Cora e sua mãe desembarcaram na Inglaterra dispostas a costurarem relações no high society britânico para conseguirem o objetivo. Porém, Cora acaba encontrando Ivo, o duque de Wareham, da forma mais incomum possível: ela estava andando a cavalo numa corrida com outros nobres quando acabou adentrando um bosque desconhecido. Seu cavalo se assustou com o barulho e ela caiu em um forte baque, ficando desacordada.

Ela a leva para sua casa, a propriedade de Lulworth, e daí “junta-se a fome com a vontade de

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comer”: Cora se torna duquesa, e o duque consegue dinheiro para reerguer-se. Eles realmente se apaixonam, mas nenhum esconde que seus objetivos se encaixam bem. Porém, o encaminhamento da trama não segue a linha de outros livros que estão bombando hoje em dia com esta mesma temática, pelo contrário. Minha última Duquesa é bastante realista, preciso ao ponto de deslumbrar com as descrições das pessoas, lugares, arquitetura, artigos de arte, figurinos, ao passo em que não concentra o ponto de vista apenas nos protagonistas. Bertha, a empregada jovem e negra de Cora possui muito destaque na história, seja com seus conflitos pessoais ( o racismo, a paixão que sente por Jim), seja com a relação estreita que possui com a patroa. Muitas vezes vemos as coisas sob a ótica dela. Há também no livro uma contenção de melodrama, pois Cora sofre para se adaptar ao intricado sistema de regras subtendidas da nobreza inglesa e também com a inconstância de Ivo, não percebendo algo que o leitor, sutilmente, vai se tornando consciente ao longo da leitura por várias sutilezas que a autora vai pondo na narrativa. Ao invés de cenas arrebatadas (isso só acontece no final, com direito à declaração à beira de um penhasco), o que mais vemos é Cora engolindo o choro, sacudindo a poeira e dando o melhor de si para não sucumbir.

Vi várias resenhas sobre o livro criticando-o por “frustrar as expectativas”. Não fiquei frustrada, pois logo no início da leitura, pelo tom adotado pela autora, percebi que Minha última Duquesa não seria como os livros da série Os Bridgertons ( da Julia Quinn) ou de Ligeiramente…, de Mary Balogh ( que eu também adoro, gente). A questão é que Minha última Duquesa é mais complexo ao retratar a sociedade; por isso, leiam! Gostei bastante. Se você curte livros assim, com um grande embasamento histórico, também irá ter muito prazer em ler!

citação livro

70 Anos de Segunda Guerra Mundial

segunda guerra mundial1A Segunda Guerra Mundial encerrou-se na Europa em maio de 1945, quando as forças aliadas conseguiram derrotar o nazismo alemão. A guerra ainda prosseguiria no Pacífico, em que EUA e o Japão lutaram até os ianques conseguirem a rendição total do império japonês ao lançar duas bombas atômicas sobre o Hiroshima e Nagasaki.

A morte de Hitler e a dominação de Berlim, no entanto, são lembrados como os marcos que puseram fim à guerra mais sangrenta da História. Foram seis anos de batalhas épicas, de “sangue, suor e lágrimas”, holocausto, chacinas, resistências. Não à toa é um período farto para pesquisas e obras artísticas até hoje, tornando-se quase fonte inesgotável, pois sempre há um ângulo ainda não explorado sobre a Segunda Guerra Mundial. A magnitude dela ainda está cravada na memória da humanidade.O LA montou uma lista de livros, filmes e séries para você que curte o assunto, assim como eu, e que deseja entender o contexto do período além dos livros de História.

Livros: 

Há um tempo têm saído vários livros que abordam a temática da Segunda Guerra Mundial, e que se tornaram sucesso, aliás. Um dos livros que mais gosto e que traz a própria Morte narrando os acontecimentos ( e sendo irônica e melancólica ao dizer que naqueles tempos trabalhara demais) é o ótimo A menina que roubava livros, de Marcus Zusak.Outro livro que também aborda a visão dos acontecimentos sob o ponto de vista das crianças é O Menino do Pijama listrado, de John Boyne, que fala sobre o terrível e abominável holocausto contra os judeus. Inverno no Mundo, de Ken Follett é o segundo volume da Trilogia O Século, e traz com uma descrição absurda ações e personagens que viveram naquela época, em várias frentes de batalha. Sentimento do Mundo, de Drummond, traz poemas que são como socos diretos no rosto de uma sociedade que agonizava com uma guerra que atingiu, realmente, a todos. Apesar de tratar de uma temática tão pesada, há um livro que consegue divertir tendo o evento como pano de fundo: o hilário Nem só de Caviar Vive o Homem, de J.M.Simmel.

livros segunda guerraCongresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. ( Carlos Drummond de Andrade)

Filmes: muitas obras cinematográficas têm a Segunda Guerra como tema. Daí vieram grandes clássicos da Sétima Arte, como Casablanca, ou outras obras que até tentaram, mas apesar do investimento e dos efeitos visuais incríveis não foramO-RESGATE-DO-SOLDADO-RYAN tão bem aclamados, como Pearl Harbor. Recentemente, inclusive, esse período esteve presente em filmes como Corações de Ferro e O Jogo da Imitação, além do filme brasileiro, que inclusive está em cartaz, Estrada 47, que narra a luta dos pracinhas brasileiros na Itália. Dentre os que mais gosto está O Resgate do Soldado Ryan, cuja cena incrível do Dia D ( o desembarque das tropas Aliadas na praia da Normandia) até hoje me parece fascinante. Também podem-se citar filmes como A vida é Bela ( quem não viu esse filme e não lembra do “buongiorno pricipessa”?); Bastardos Inglórios; A Lista de Schindler e O Pianista, dentre os muitos que ajudam a recontar esta parte da história mundial.

collagem de filmes segunda guerra

Séries: 

Da experiência e “do que gosto que tomaram pela coisa”, a parceria entre Steven Spielberg e Tom Hanks que arrasou em O Resgate do Soldado Ryan foram produzidas aquelas que são as séries mais lembradas quando o assunto é Segunda Guerra: Band Of Brothers e The Pacific. “Band of Brothers acompanha a história da “E” Easy Company, o 506º Regimento da 101ª Divisão Aerotransportada, desde o treinamento inicial da equipe, em 1942, até o final da 2ª Guerra Mundial. Com um papel primordial para a resolução do conflito, eles foram uma das unidades de maior sucesso na história militar americana.” (http://www.adorocinema.com/series/serie-306/). “Da equipe criativa por trás de Band of Brothers chega esta minissérie de dez horas reconstituindo os passos de três fuzileiros americanos naval, conforme eles lutam na Segunda Guerra Mundial no Pacífico.(http://www.vejoseries.com/the-pacific#ixzz3b5FlOgTG)

Eu assisti às duas e posso dizer que são incríveis! A veracidade em cada detalhe, as armas, os tanques, aviões, a própria caracterização dos personagens reais, tudo isso vale muito a pena de ser conferido. Também cito a série exibida no ano passado sobre as personalidades que se envolveram de forma fundamental nas duas grandes guerras, o drama-documentário Guerras Mundiais, produzidas pelo History Channel.

séries segunda guerra mundial

O Vermelho e o negro

o vermelho e o negro

Ontem, exatamente às 22:30 horas, eu fechei o meu volume de “O vermelho e o negro” e soltei um suspiro. A sensação de ler uma obra tão incrível foi de saudade, misturada com perplexidade, porque foi bem marcante para mim.

Este livro, cujo subtítulo é “Crônica do século XIX”, é bem melhor absorvido quando você tem um embasamento histórico do período retratado nele. A França, país em que a trama se ambienta, em pouco tempo passou por profundas e irreversíveis mudanças: a Revolução em 1789 e o período napoleônico. Stendhal, o próprio autor, cresceu durante esta época, e, no romance, buscou mostrar como o país, já em 1830, tendo passado por uma restauração da monarquia após a queda de Napoleão, era bem diferente do que muitos poderiam supor.   julien

O título do romance, segundo muitos estudiosos, é uma espécie de alusão ao vermelho das armas e ao negro da batina, ou seja, aos dois caminhos buscados por Julien Sorel para subir socialmente.

Julien é um rapaz pobre, filho de um carpinteiro de uma cidadezinha no interior francês. Mas, não se engane: ele é astuto, inteligente, orgulhoso e vai agarrar muitas oportunidades para seguir o futuro glorioso ao qual se acha reservado. Apaixonado pela figura de Napoleão, seu ídolo, ele trama consigo mesmo planos ambiciosos e inconstantes o tempo todo. Mesmo Julien sendo um anti-herói, eu simplesmente me apeguei de uma forma como não acontecia comigo em relação a um personagem há muito tempo. Por ele ser muito jovem (começa a história aos 17, 18 anos), as trapalhadas involuntárias dele, a falta de traquejo social, os arroubos de paixão, as repentinas melancolias, os planos furados, enfim, tudo o aproxima de qualquer jovem comum, de qualquer época, que acaba “metendo os pés pelas mãos” quando as coisas saem de seu controle.

Bem, vamos ao desenrolar dos fatos: Julien é protegido de um velho padre da Varrières (cidade fictícia, aliás). Com ele, o rapaz aprende tudo sobre a Bíblia e latim com perfeição. O primeiro grande golpe de sorte da sua vida surge quando se torna preceptor (uma espécie de professor particular em tempo integral) dos filhos do casal de Rênal. Ele é o prefeito da cidade e sua esposa é uma mulher ingênua, que nunca tinha se apaixonado de verdade… isso até conhecer o filho de carpinteiro jovem e bonito, Julien. A paixão entre eles é incontrolável e ardente; entre a hesitação dela e a vontade de provar-se a todo instante, quase que o caso entre os dois é descoberto. Isso domina toda a primeira parte do livro, que termina quando ele decide ir para o seminário em uma cidade vizinha e um pouco maior que a que morava, Besançon.

gravuras do livro o vermelho e o negroLá chegando, acontece um dos momentos mais hilários do livro. O que me chamou a atenção é que a linguagem de Stendahl é contida, segura, não se perde em floreios desnecessários, mas há passagens em que ele, não querendo escrever algo literalmente engraçado, acaba fazendo muita graça, principalmente quando Julien demonstra sua falta de tato. Não à toa, o autor francês influenciou ninguém menos que Machado de Assis, por isso creio que a leitura de “O vermelho e o negro” foi tão envolvente, já que eu sou #TeamMachado de carteirinha, e encontrei muitos pontos em comum entre eles.

Enfim, Julien desmaia de pavor do padre que o recebe no seminário, Pirard. Severo e feio, o padre provoca e testa o rapaz até às últimas consequências, mas ambos acabam gostando um do outro. Tanto que o padre, envolto em intrigas de inimigos, vai para Paris e leva o seminarista junto, para ser secretário de um marquês, o sr. De La Mole.

Na Paris sedutora, o protagonista se vê alvo da hipocrisia, e vive enfadado até se envolver com Mathilde, a filha caçula do patrão. A relação dos dois, a meu ver, é mais sobre “estar apaixonado pela ideia de se estar apaixonado” que qualquer outra coisa. Ambos são orgulhosos, ambiciosos, têm a personalidade forte e se entregam a um namoro inconsequente mais pela vontade de experimentarem algo real que por um amor verdadeiro. De tudo isso, a srta. De La Mole fica grávida. Julien consegue várias vantagens nisso, e, quando já está no exército com uma alta patente e dinheiro assegurado para viver confortavelmente ao lado de Mathilde, fica sabendo que o pai dele recebeu uma carta da sra. De Rênal contando todo o caso que tivera com o rapaz.

Transtornado, ele volta à Varrières e atira na mulher de quem tinha sido amante bem no meio da missa. Preso, ele cai em si e percebe que a única solução viável para seu fim é a guilhotina. A sra. De Rênal não morre e o perdoa, revelando que a carta não fora escrita por ela. Particularmente, eu não gosto de contar o final dos livros que resenho, mas posso garantir: “O vermelho e o negro” é denso sem ser “difícil de ser lido”, irônico, inteligente, uma fusão de literatura e história que poucas vezes saiu tão perfeita.

Seu verdadeiro nome era Henri-Marie Beyle, mas ficou  conhecido como Stendhal. Conhecido nos salões parisienses, suas obras são conhecidas pela linguagem objetiva e pela análise psicológica dos personagens.
Seu verdadeiro nome era Henri-Marie Beyle, mas ficou conhecido como Stendhal. Conhecido nos salões parisienses, suas obras são conhecidas pela linguagem objetiva e pela análise psicológica dos personagens.

Que desgraça! Talvez me falte caráter. Teria sido um mau soldado de Napoleão.

Pessoal, eu gostaria de agradecer ao número de seguidores que o LA tem ganhado ao longo dos dias. Isso aqui não é só um simples passatempo, há muito amor, esforço e dedicação. Não sei se vcs sabem, mas eu passei por uma cirurgia bem séria no tornozelo direito e agora que estou voltando. Prometo que vou organizar meu ritmo de postagens, e podem ter certeza de que eu estou muito contente com o retorno e empenhada em fazer algo cada vez melhor! 😉