5 contos de terror!

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Olá! Dando prosseguimento ao Especial Mês do Terror, o LA hj vai indicar cinco contos MUITO BONS para quem curte sobrenatural, mistério e aquele medo que sobe pela espinha da gente rsr

1.O Homem que Adorava Flores – Stephen King

Era primavera, 1963. Um jovem adorável anda sonhador e amoroso pelas ruas de Nova York disposto a comprar flores para a sua namorada. Aonde passa, uma onda de paixão exala dele e todos podem ver que ali vai um rapaz apaixonado, mas… gente, é conto do Stephen King, claro que uma treta assustadora e séria vai acontecer, né? Adoro a forma como o autor conduz a gente rumo a uma situação surreal, que sempre nos surpreende.

 

Agora as estrelas tinham surgido no céu, cintilando levemente; a travessa era escura e
cheia de sombras, com vagas silhuetas de latas de lixo. O jovem estava sozinho, agora… não, não totalmente.
2. Os Outros – Neil Gaiman
Gaiman sempre traz o mistério das coisas do além para uma realidade palpável a todos nós. Desta vez, ele abordou o contexto do “purgatório”, em que um homem sofre nas mãos de um demônio que o faz sentir todas as dores pelas quais passou e fez os outros passarem em vida. Apesar da situação, o texto faz a gente refletir sobre nossas escolhas, nossos erros e sobre como somos também resultados de cicatrizes acumuladas ao longo do tempo.
– O tempo é fluido por aqui – disse o demônio.
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3. A Fera – Joseph Conrad
Conrad foi um escritor que conheceu bem as viagens marítimas na época do Neocolonialismo, em fins do século XIX. Suas melhores histórias ( como o fantástico livro O Coração das trevas) se passam neste ambiente e com este conto não é diferente. A fera é um navio que, a cada evento sinistro, mostra-se dotado de um lado muito malévolo, colocando medo nos mares e nas pessoas.
Se algum dia um navio foi encomendado com base em um sentimento de orgulho, foi aquele. Tudo do bom e do melhor. O capitão comodoro da firma seria o comandante, e suas acomodações foram planejadas como se fossem uma casa em terra firme sob uma popa grande e alta que se estendia até quase o mastro principal.
4. – O Chamado de Cthulhu  H.P. Lovecraft                                                                                           Resultado de imagem para mistério tumblr
Um ritual tão antigo quanto a Terra, mórbido e delirante, poderia afetar a mente e a situação das pessoas “civilizadas”? Ao tomar de conta dos estudos e pesquisas do seu tio, um antigo professor de línguas semíticas, o narrador não sabia em que terrenos tenebroso estava se metendo. Ao encontrar a imagem de uma antiga seita, do “culto a Cthulhu”, o narrador e o leitor viajam em uma história sombria, incrível e que incita a nossa imaginação.
A estatueta, ídolo, fetiche ou o que quer que fosse, fora capturada alguns meses antes nas florestas pantanosas do sul de Nova Orleans durante uma batida policial num suposto culto de vodu; e tão singulares e medonhos eram os ritos ligados à peça, que a polícia de imediato percebeu que dera de cara com um culto sinistro totalmente desconhecido para eles e infinitamente mais diabólico que o mais negro dos círculos africanos de vodu.
5. Nau Catarineta – Rubem Fonseca
Um rapaz rico e órfão, cercado pelas tias, fora criado sabendo que levava sobre os ombros uma tradição familiar peculiar e macabra que teria obrigação de cumprir. “A “Nau catrineta” de Rubem Fonseca flutua entre dois espaços, duas culturas, duas literaturas – a brasileira e a portuguesa – lendo a Historia do Brasil de forma macabra, irônica e fantástica, pelo riso, hesitação, e, ao mesmo tempo , estranheza que causa no leitor.” ( http://www.geocities.ws/ail_br/anaucatrinetavelhasreceitas.htm)
No Decálogo Secreto estava definida minha Missão. Eu era o único varão de uma família reduzida, além de mim, a quatro mulheres solteironas e implacáveis.
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Resenha de “Feliz Ano Novo”

feliz ano novo

Um autor que sempre me lembra da minha adolescência, ali por volta dos 16, 18 anos, é Rubem Fonseca. O engraçado é que os textos dele não têm nada voltado para essa idade, ao contrário; há crueza, dor, “a vida como ela é” ( com todos os palavrões incluídos) e uma reflexão meio desgraçada da vida.

Com certeza, eu lia e algo me fascinava; além destas características listadas acima, há o que eu mais gosto na estilística do Fonseca: ele não faz concessões. Se ele que usar determinado termo, ele usa e pronto, não floreia. E, mesmo que seus personagens e histórias sejam descritos com detalhes jornalísticos, há ainda espaço para a loucura, para o surreal e para o assombro diante da natureza humana.

Então, estava visitando uma biblioteca que sempre frequento e decidi ler Feliz ano novo, um livro deste cara genial. Repleto de contos que são uma sequência perfeita de cenas urbanas, perplexidade diante da vida e personagens bizarros, este livro foi censurado pela Ditadura Militar em 1976, porque denunciava também vários problemas de cunho social.

O conto do título narra um assalto violento praticado por dois ladrões miseráveis a uma Resultado de imagem para livro feliz ano novomansão. É sujo, tenso, cruel e mostra a banalização da pobreza, da violência. Este livro traz os contos Passeio Noturno I e II, que mostram como o verniz social não é capaz de aplacar todas as idiossincrasias do homem. Acho o primeiro, aliás, um dos melhores contos já feitos na nossa literatura, sério.

Outro conto que chama a atenção pela narrativa acelerada e o ritmo absurdo dos acontecimentos é Agruras de Um Jovem Escritor; outro que é agridoce, de certa forma, é Corações Solitários, em que um jornalista aceita trabalhar em um jornal voltado para o público feminino. Aqui também há um conto com o personagem Mandrake, que é recorrente na obra do escritor ( Dia dos namorados). Também destaco O campeonato, o mórbido Nau Catrineta e a forma interessante como a linguagem foi trabalhada no conto 74 Degraus.

Resultado de imagem para rubem fonsecaRubem Fonseca é um dos maiores escritores da nossa chamada 3ª Geração Modernista; ganhador do maior prêmio da língua portuguesa, o Camões, ele também foi jornalista, empresário e policial.

Resenha de Perto do Coração Selvagem

Este foi o primeiro livro publicado por Clarice Lispector. Mesmo para quem já leu outro livro dela ( no meu caso, A Hora da Estrela), e vários contos, foi um impacto muito profundo ler esta obra. Seja pelo nível linguístico, em que o português é trabalhado com muita perspicácia, como pela investigação psicológica intensa, não dá para sair imune da experiência de ler Perto do Coração Selvagem.

O romance conta a história de Joana, ou melhor, vamos acompanhando Joana e seus questionamentos, filosofias, digressões e reações dela diante do mundo ao longo de fatos em que, por acaso, ligados entre si, vão formando a sua trajetória. Não é um livro de obviedades, e é algo que exige de você uma entrega, pois é preciso seguir o fluxo de consciência de uma protagonista complexa.

perto+do+coracao+selvagem+2+edicao

A complexidade dela, que é inerente a sua personalidade, é percebida desde criança, quando faz indagações capciosas ao seu pai. O tempo passa um pouco, e Joana o perde, indo morar, ainda menina, na casa dos tios, já que também era órfã de mãe. Lá, sente-se uma intrusa, e não fica nada à vontade ao redor da tia, que também não a suporta, devido a um traço de caráter de Joana marcante desde a tenra idade: a sua amoralidade perante aos preceitos sociais. Num dia em que foram fazer compras, a tia a flagra roubando um livro; chocada e aturdida com a reação totalmente sem culpa da sobrinha ( a quem ela se refere como uma víbora), envia a garota para um internato.

Já no início da adolescência, Joana se apaixona por um professor particular que a instiga e dá conselhos:

– Bom é viver…, balbuciou ela. Mau é…

– É?…

– Mau é não viver…           perto do coração selvagem

– Morrer? – indagou ele.

– Não, não… – gemeu ela.

– O quê então? Diga.

– Mau é não viver, só isso. Morrer já é outra coisa. Morrer é diferente do bom e do mau.

Ainda jovem, ela se casa com Otávio, um homem que não parece ser o tipo que compreende a intensidade de Joana. Talvez por isso, ele a trai com Lídia, sua ex-noiva. Joana sabe tudo, vai lá conversar com Lídia, vê-la no auge da gravidez… As coisas funcionam de outro modo para a personagem principal, ela sente e raciocina com uma propriedade muito pessoal, por isso, a traição de Otávio não gera tanta comoção, mas ela decide que deve ser melhor os dois se separarem. Enquanto isso, ela ainda se envolve com um homem misterioso, que a segue, mas depois ele some e ela parte para uma nova jornada em busca de conhecimento pessoal.

perto do coração selvagem 2No romance, sentimentos são levados à última consequência através do fluxo de consciência da protagonista Joana, contrapondo as experiências de criança às de adulta. A vida da personagem é conduzida rumo ao coração selvagem, importando-se com o bem estar próprio e preocupada com o que lhe pudesse satisfazer. Joana traz internalizada a transgressão das normas sociais falocêntricas e, calcada nessa posição, busca compreender sua posição de mulher, sua alteridade e sua luta para estabelecer um discurso próprio. ( artigo acadêmico de Clarice Cerqueira Fernandes).

Como o trecho acima diz, meu comentário acerca do livro é: Joana é instintiva, não se adequa ao mundo a sua volta. Não sente culpa, ama às vezes, odeia também, mas a impressão que eu tive é que ela parece estar sempre adiante, sempre superior e sabendo de algo que os outros apenas confiam. Perto do Coração Selvagem é denso, não faz concessões ( tem certos cortes de narrativa bruscos), uma protagonista cheia de camadas a serem exploradas e que foi, definitivamente, o cartão de apresentação perfeito que Clarice Lispector poderia mostrar para a literatura brasileira.

Dicas para o ENEM – Linguagens!

ENEM

Oi, pessoal! -Estamos estreando uma nova sessão no LA, Dicas ENEM, em que sempre vou colocar coisas bacanas sobre Linguagens para quem está se preparando para o exame mais concorrido pro Brasil ( aliás,  neste ano o ENEM será nos dias 5 e 6 de novembro, hein?). A dica de hoje é sobre a escola barroca, um movimento artístico e cultural que ocorreu nos séculos XVI e XVII, e influenciou a literatura, a pintura, escultura, arquitetura e a música. Aqui no Brasil, caracteriza-se por ter sido a primeira escola que realmente tem obras de valor artístico genuinamente brasileiras, como os sermões do Padre Antônio Vieira e os poemas de Gregório de Matos. Uma dica de leitura para você entender melhor este período é o livro Boca do Inferno, de Ana Miranda, olha só:
Boca-do-inferno_ Ana MirandaBoca do Inferno é um romance que tenta mostrar uma terra marcada pela libertinagem, corrupção e luta pelo poder. Ana Miranda usa no livro diversas palavras e expressões tidas como chulas, com tom de critica à sociedade, que fazem referência a sátira de Gregório de Matos, um poeta do século XVII conhecido pelo apelido Boca do Inferno ou Boca de Brasa que fazia criticas ferrenhas a sociedade baiana da época. Ele faz parte da obra como um dos personagens. ( http://www.coladaweb.com/resumos/boca-do-inferno)

Abaixo, um infográfico que preparei para você saber o essencial sobre o Barroco:

barroco

Resenha de Fahrenheit 451

fahren3Olá! Como expliquei no post passado, o fim de fevereiro e o início de março foram megacorridoss, mas vamos atrás do tempo perdido!

Uma das premissas que mais me chamou a atenção na distopia Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, foi o fato de que a sociedade chega a um ponto em que queimar os livros e tratá-los como ameaça de Estado torna-se regra, coisa comum. É difícil amar tanto literatura e ler as descrições de como os bombeiros trabalhariam no futuro sombrio delineado pelo autor, em que, ao invés de apagar, eles ateiam fogo.

Fahrenheit-451

Guy Montag, um bombeiro pacato, começa a ouvir as palavras de sua vizinha, Clarice McClellan, que fala sobre um mundo em que as pessoas leem, têm conversas sobre coisas “de verdade” e veem a beleza da natureza. A garota vai incutindo na mente de Guy de que um mundo diferente é possível, e que os livros que ele queima, de repente, podem conter o caminho para isso. Aliado à crise em casa pela qual ele passa, porque sua mulher se afunda em remédios que entorpecem sua percepção e só quer saber de contato virtual, ele vai  fundo atrás de suas próprias verdades.         fahrenheit-451-el-terror-de-un-mundo-sin-libros_118267.jpg_24661.670x503

O livro é dividido em três partes, mas, sinceramente, apenas a terceira me deu realmente “aquela” vontade de ler o livro. Sabe quando você lê uma história, acha-a muito bem escrita, mas falta um quê? Um tchan? Pois é. Para mim, Fahrenheit 451 peca na maior parte do tempo em sua falta de ritmo. Dá uma certa impaciência quando Guy não parece ir a lugar nenhum ao lado de uma esposa fútil, demora a ler os livros, e, além disso, não concordo com o autor ao eliminar a personagem Clarice, que tinha potencial e era carismática.

Farenheit451Assim, Fahrenheit 451 só ganha fôlego quando o protagonista chuta o balde e decide fazer uma revolução baseada no poder dos livros, mesmo que seja quase uma revolução de um homem só. Ele enfrenta o seu chefe, foge, é perseguido e esta parte do livro é tão intensa e envolvente que eu acabei rapidamente. Ou seja: a mensagem do livro e a escrita primorosa de Ray Bradbury são pontos preciosos, porém a trama se desenrola em um ritmo mais lento do que talvez estejamos acostumados, ela é mais reflexiva, você sente falta da ação. Porém, quando Guy decide ler e enfrentar um sistema massificador, seu drama ganha densidade. O leitor torce por ele, e torce por um mundo em que a cultura e a leitura persistam.