Primeiro livro da série Fundação, de Isaac Asimov

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Olá!!

A resenha do LA hoje é sobre o primeiro livro da série de ficção científica Fundação, livro o qual leva o mesmo nome. Se você é fã do gênero, com certeza já deve ter se deparado com algo do autor de Fundação por aí, seja em filmes ( Eu, Robô, O Homem Bicentenário) ou na literatura.

isaac-asimovIsaac Asimov, um russo que se naturalizou norte-americano, é considerado uma das referências máximas no mundo sci-fi. Como era bioquímico por formação, seu apreço pela tecnologia ficou evidente em suas obras, tendo criado, inclusive, as chamadas “três regras da robótica”. A criatividade aliada a um grande conhecimento científico transformaram  seus escritos em textos ricos, surpreendentes e incríveis.

asimov internetFundação é considerada a obra máxima dele, tendo, em 1966, ganhado de O Senhor dos Anéis (!) como a “melhor série de ficção científica e fantasia de todos os tempos”. Para escrever a saga, o autor teve como referências o estudo de momentos históricos e culturais que permearam nossa história, como a expansão e queda do Império Romano, o Destino Manifesto e o nazismo, por exemplo.Tudo começa quando um grande estudioso, Hari Seldon, utiliza suas análises em psico-história ( um tipo de ciência que, ao meu ver, seria um cruzamento entre história, sociologia e estatística) para categorizar que o Império Galáctico que governava várias galáxias estava por um fio.

Nolan produz Fundação de Asimov  para HBO 3É preciso saber que, no contexto da série, séculos a frente do qual vivemos os seres humanos viveriam espalhados pelo universo estando sob a égide do império citado.Hari Seldon, então, consegue que os poderosos do Império lhe deem um planeta já na periferia dos seus domínios, Terminus, com o objetivo de criar uma enciclopédia que auxiliaria a humanidade a atravessar o período de caos que estaria por vir segundo os prognósticos da psico-história.

O livro é dividido em cinco partes, em que o leitor acompanha todas as previsões de Seldon até cerca de 150 a 200 anos após as primeiras pessoas terem chegado a Terminus. Como cada parte é um recorte no tempo, em épocas diferentes aparecem personagens carismáticos; eu curti Gaal Dornick, o jovem estudante ingênuo que é escolhido por Seldon para auxiliá-lo e de Salvor Hardin, que encara as duas primeiras crises previstas pelo cientista, utilizando de muita esperteza e dubiedade.

Se você ler prestando bem a atenção, dá para delinear com clareza o fio condutor que Asimov soltou desde a primeira até à última página do livro. Do poder dado aos enciclopedistas, que cai quando eles descobrem que tudo aquilo não tinha passado de uma “enrolação” que Seldon tinha inventado, ao poder exercido pela religião e depois à queda da mesma em razão da ascensão do comércio, tudo é bem pensado. A linguagem do escritor é leve; seu estilo muitas vezes é casual, descontraído, e a ciência aparece sempre de forma a ajudar no andar da trama, nunca de forma inacessível.

Eu gosto de fantasia, nunca tinha lido nada sci-fi a esse nível, mas posso dizer que adorei o autor e que com certeza vou terminar de ler a trilogia principal de Fundação!

No blog Livrismos, aliás, há uma lista de possíveis formas de ler toda a coleção ( https://livrismos.wordpress.com/2014/01/31/como-ler-fundacao-de-isaac-asimov/) , e dá para destacar esta aqui:

como ler fundaçãoSabia da página oficial do LA no facebook? Curte lá! https://www.facebook.com/pages/Livro-Arb%C3%ADtrio/346927425478431?ref=aymt_homepage_panel

Resenha de A Mais Pura Verdade

a-mais-pura-verdadeOi!

Bem, assim como muitos blogueiros, também recebi da editora Novo Conceito um exemplar, na verdade, uma prévia, do romance infanto-juvenil A Mais Pura Verdade, de Dan Gemeinhart.

A leitura do livro é bastante fluida, creio que pelo fato de ele ser voltado para um público jovem. Mas, não se engane: escrita mais concisa e menos complexa não quer dizer que o livro não seja denso.

Ele conta a história de Mark, um garoto que está entrando na adolescência, adora escrever haicais e que decide fugir de casa, apenas acompanhado de seu cachorrinho Beau e de poucos pertences, como sua máquina fotográfica. O objetivo: escalar uma montanha, o Monte Rainer, que fora escalado pelo seu avô.

O que achei mais interessante nesta história é que Mark não diz logo de cara que tem câncer, e, ao que parece, terminal. Fica tudo subtendido, às vezes demonstrado aqui ou ali, mas o autor não perde o tom nenhum vez. Ele não subestima a capacidade do leitor em entender a dor e a doença de Mark, mas também não fica fazendo alarde ou cai em uma fórmula de sick-lit barato. Aliás, acho que A Mais Pura Verdade tem momentos de crueza e de sinceridade ao tratar de um tema tão delicado que me tocou mais que A Culpa é das Estrelas ( às vezes o pretensiosismo do John Green me dava uma canseira).

Outra coisa bacana no livro é que os capítulos alternam o ponto de vista de Mark e de sua família e de sua miga Jess, que fica em dúvida em dizer para a família o verdadeiro paradeiro do amigo.

Enfim, como era uma “amostra”, não sei que rumo leva a jornada de Mark e seu fiel cãozinho Beau rumo à montanha, mas desejo ler logo! 😀

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Resenha de “Lugar Nenhum”, de Neil Gaiman.

Oi, gente!

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“Dizer que ‘Lugar Nenhum’ é uma espécie de ‘Alice no País das Maravilhas’ com uma virada punk não faz justiça ao primeiro romance de Neil Gaiman, mas serve para definir seu tom. Gaiman é mestre na arte de criar e povoar mundos. Em Lugar Nenhum, ele consegue se superar”. ( Poppy Z. Brite)

Bem, eu sei que demorei muito a postar no meio deste mês, e detesto aparecer com desculpas… porém, como adoeci por uma semana com uma forte virose, mudei de emprego e estava atolada em planos de aula infindáveis, acho que mereço um desconto, né? A verdade é que, com a mudança de rotina, sinto que vai ser obrigatório eu me planejar para postar no blog com antecedência. Vamos à resenha?

O gênero fantasia é um dos meus favoritos. Adoro Harry Potter e Senhor dos Anéis, e acho que esta minha inclinação para aventuras e desventuras com personagens e lugares exóticos vem desde a minha infância, quando eu era fascinada pelo universo do desenho Caverna do Dragão. Quando li um livro do Neil Gaiman há uns anos (Os Filhos de Anansi), fiquei extasiada pela escrita do autor britânico: a trama com de elementos surreais, ágil, cheia de acidez divertida e o melhor: que não infantiliza o tema, que traz uma pegada adulta mesmo retratando situações “não-reais”, algo que, óbvio, só se pode esperar do autor de Sandman, um dos marcos das HQs, um verdadeiro clássico que revolucionou o gênero – e que é muito claro, eu vou ler!

O livro do escritor que tive o maior prazer em ler desta vez foi Lugar Nenhum, que originalmente o Gaiman escreveu para uma ser uma série da BBC, e acabou se tornando em seu primeiro romance. Narra como o pacato Richard Mayhew, que levava uma vida sem graça (trabalho, namorada chata, apartamento pequeno), de repente, ao ajudar uma garota machucada e caída no meio da rua, vê tudo mudar de uma hora para outra.

Após ajudar a garota desacordada, Door, estranhas coisas acontecem com Richard, que o levam para aquilo que se denomina de “Londres de baixo”, um lugar que só quem cai nas fendas da “Londres de cima” é capaz de conhecer. Sem querer, ele faz parte de uma caravana formada por Door, uma moça filha de uma rica e importante família deste mundo inferior, o marquês de Carabas, um dândi cheio de truques e malandragem e Hunter, a melhor caçadora de que já se teve notícias ali.

Personagens do livro
                                                                          Personagens do livro

Door perdeu a família de forma brutal e busca saber os motivos disso ter acontecido; para tal, é preciso fugir de dois assassinos de aluguel sanguinários (o senhor Vandemar e o senhor Croup). Quem tem como ajudá-la com isso é um anjo, Islington, que precisa de uma chave em troca deste favor que fará à garota. Achei incrível a forma como o escritor vai descrevendo Londres, seus pontos turísticos, as pontes, as estações do metrô, a história da cidade, não tem como não se sentir lá! A “Londres de baixo”, apesar de ser extremamente peculiar, guarda semelhanças com a de cima, mas tem um fator que a torna mais especial ainda: o Mercado, uma espécie de feira em que se vê de tudo e que acontece nos lugares mais improváveis.

Gostei bastante da história, que perto do fim dá uma virada espetacular e fica mais interessante ainda. A capacidade de nos prender às páginas do livro com uma linguagem fluida, com ricos detalhes e uma trama bem amarrada parece ser intrínseca ao Gaiman, e isso só me deu mais vontade de ler tudo o que ele já fez, fora o que já li, e continuar a ler o que ele lançar!

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“Lugar Nenhum” também se tornou história em quadrinhos, sendo adaptada por Mike Carey e desenhada por Glenn Fabry.

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente

Oi, gente! Desculpem a demora nas reviews, mas tive uma semana superdifícil, com direito à gripe para fechar com chave de ouro, masssss… estamos na luta!

Eu não sei por que não tinha lido antes nada da Agatha Christie. Uma lacuna enorme que eu deveria preencher, assassinato do expresso do orienteprincipalmente pela vastidão da obra da escritora, pela sua fama e porque eu chegava a indicar até mesmo pros outros (!). Estava mais que na hora de criar vergonha e ir atrás. Eis que me emprestaram e eu amei a edição especial que a Nova Fronteira tem feito de muitos livros dela, com capa linda e dura, esta aqui da foto ao lado.

Por coincidência, descobri que o livro que devorei nestes últimos dias, “O assassinato no expresso do Oriente” foi publicado há exatamente 80 anos.

Conta como Hercule Poirot, um detetive que é uma das personagens mais recorrentes na obra de Christie, está voltando para Londres da Síria e se envolve em um caso muito complexo ao pegar o Expresso do Oriente. Um homem rico e misterioso, um certo Ratchett, no meio do percurso é assassinado com 12 facadas e o trem fica preso em uma nevasca. Todos os passageiros do carro Istambul-Calais parecem ser inocentes, e cabe a Poirot desvendar um caso que parece indecifrável.

Rapidamente, o detetive descobre que Ratchett fora um assassino e sequestrador cruel, fugitivo dos EUA e que originalmente se chamava Cassetti. Há alguns anos, ele tinha se envolvido no bárbaro crime contra uma menininha, desfacelando toda a sua família. Isto ficou conhecido como “caso Armstrong”, e Poirot seguiu nesta pista e rastreou cada suspeito, descobrindo pontos obscuros até chegar à verdade.

Óbvio que não dá para descrever muito, pois a graça de histórias como essas residem justamente no mistério. Fazendo uma pesquisa, descobri que “Assassinato no Expresso do Oriente” foi um dos maiores sucessos da escritora, sendo adaptado várias vezes para Tv e cinema.

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Eu vi esta página muito legal na internet e recomendo pra vocês lerem e saberem um pouco mais sobre o livro e a autora: http://jornalismojunior.com.br/sala33/agatha-christie-80-anos-de-o-assassinato-no-expresso-do-oriente/ . 😀

Especial Mês do Terror: “Formaturas Infernais”

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Oi! Hoje começaremos a nossa nova coluna, “Especiais”, sendo que, durante o mês de outubro, teremos uma espécie de “homenagem” ao mês do Halloween. Dentro deste especial, vou resenhar leituras que tragam algo de mistério, terror, suspense, assombração. Vou avisando que não é lá o que costumo ler, por isso tem o adicional de ser um desafio para mim. Como sou nerd aplicada, eu vou até mostrar para você que curte o LA o “cronograma do terror”:

  1. Resenha de “Formaturas Infernais”
  2. Resenha de “A outra volta do parafuso”
  3. Resenhas de 5 contos brasileiros sobrenaturais
  4. Resenhas de 3 contos de Edgar Alan Poe

Eu bem que tentei de verdade encarar mais leituras, mas como eu ainda tô lendo outros livros que não são para o especial, as coisas ficaram puxadas e eu ainda trabalho, né? Enfim, vamos começar!

Bem, eu já esperava que talvez não viesse a gostar muito de Formaturas Infernais, visto que eu tendo a ser meio crítica com vários livros YA. Mas, como ele já estava aqui por casa, e porque é pequeno, além de não ser logo de cara “assombroso”, digamos, decidi encará-lo.

O livro é constituído de 5 contos que giram em torno do tema formatura. 5 autoras desenvolveram contos com direito a formaturas infernaisvampiros, diabinhas, meninas com superpoderes e zumbi. Algo em que reparei é que quase todos são narrados em primeira pessoa, ou seja, mostram sempre a visão das protagonistas. Também aparecem em todos aqueles clichês de livros YA: estilo pseudo-irônico, às vezes meio forçadinho, diálogos um pouco fracos, e claro, mocinhas inseguras, que não se acham boas o suficiente para serem convidadas para o baile.

O primeiro conto é “A filha da exterminadora”, de Meg Cabot, em que Mary é uma jovem caçadora de vampiros que tenta evitar que o filho do Drácula, Sebastian Drake, ataque a melhor amiga dela. Não chegou a me empolgar, mas acho que foi o conto mais “redondinho” do livro.

O segundo é o melhor, e único que realmente dá um sustinho ( eu acho que para quem gosta mesmo de terror o conto não chega nem a fazer cócegas, mas como não sou muito acostumada como o gênero,   valendo).

Este é baseado num antigo conto do qual já tinha ouvido falar, e que é até citado pela própria autora, Lauren Myracle, “A pata do macaco”. Frankie está apaixonada pelo melhor amigo, Will, e arrasta a ele e a melhor amiga, Yun Sun, para uma cartomante, a fim de descobrir se o garoto iria sair de cima ou não do muro e chamá-la para o baile. O rumo das coisas muda quando, na ânsia de ver seu desejo realizado, ela fica com um antigo e misterioso buquê, que só vai atrair o contrário do que ela quer.

O terceiro conto é de Kim Harrison, “Madison Avery e a morte”. Foi o conto mais “WTF?” do livro por motivos de: por que a autora, que sabia que não teria um espaço enorme para desenvolver a trama, jogou milhares de informações e no final, simplesmente, não responde à nenhuma das questões que ela mesma levantou?

Madison é nova na cidade e acaba indo ao baile com um garoto que o pai pediu que a levasse. Ela se enche dele, e, quando está indo embora, conhece um cara perfeito, que a seduz. Ela toma uma carona com ele, daí encontra-se morta ou nem tão morta assim. Juro que fiquei irritada com o final, pois poderia até ser algo mais legal se tivesse sido melhor elaborado.

O penúltimo é “Salada Mista”, de Michele Jaffe. Juro que não tem NADA de terror, horror, ou seja lá o que fosse nesse sentido, mas consegue até ser engraçadinho. Conta como Miranda, que perdeu misteriosamente os pais e que sempre viveu em um colégio interno, começou a usar os superpoderes dos quais não sabe por que motivos possui para combater o crime em sua cidade. Ela vive consultando livros de autoajuda a fim de resolver suas inseguranças, tem uma quedinha pelo delegado bonitão e faz um bico como motorista para uma empresa de táxi especial. Numa das corridas, precisa buscar uma menina que é, disparadamente, a personagem mais divertida de todas as histórias do livro: Sibby, que tem 14 anos, é atrevida e linguaruda e incapaz de ficar perto de um garoto sem conseguir beijá-lo.

Achei a premissa do conto interessante ( Sibby era uma espécie de reencarnação, ou algo assim, da Sibila de Cumas, um das dez sibilas mais conhecidas da Grécia antiga. Estas personagens mitológicas possuíam poderes proféticos, inspirados pelo deus Apolo). Mais uma vez, por falta de um maior desenvolvimento, as tramas de Sibby e Miranda que prometiam ser muito boas terminam às pressas. Acho até que se fosse um livro só delas, eu leria.

O último é da badalada autora crepusculiana Stephenie Mayer. “Inferno na Terra”, apesar do título, é um conto meio bobinho. Uma diaba teen, Sheeb, tem que atormentar um baile de formatura, causando a discórdia entre todos os jovens do salão. O único que parece imune à maldade dela é Gabe, um menino quase anjo por quem ela, no final, se interessa. E É SÓ ISSO! Foi, na minha opinião, o conto mais chato e decepcionante. Os outros, mesmo tendo seus deslizes, tinham um arco com um clímax, mas esse se arrasta pelas páginas e tem um momento em que você se pergunta, “então, cadê o objetivo dessa história?”

Enfim, Formaturas Infernais deve assustar meninas de 10 à 12 anos, e olhe lá.