Resenha de “Ridículas Cartas de amor”

ridiculas cartas de amor3

Oi, gente!

Vou resenhar hoje o livro de contos Ridículas Cartas de Amor, da Darda Editora. Ele consiste em um compilado de contos escritos por autores novos ( e muito promissores), uma das quais é minha amiga mais que linda Nina Spim. O exemplar que li  “viajou” pelo Brasil para que várias pessoas de lugares diferentes pudessem lê-lo e resenhá-lo. Adorei a ideia, aliás, e estou aberta a outra experiência assim!

Ridículas Cartas de Amor é composto por múltiplas histórias de amor, desde as que dão certo ridículas cartas de amor2como aquelas que ficam no “quase”. O melhor de tudo é que são também bem democráticos: há poliamor ( como no primeiro conto, “Hashtag”, de Mariana Sgambato, um dos que eu mais curti), amor entre mulheres, amor entre homens e entre homens e mulheres.

Todos os contos são delicados, constroem personagens que poderiam ser eu, você, um dos nossos amigos. Gente que sente, sofre, ri, que precisa abrir-se ao amor ou deixar um partir. Como traz vários autores que estão despontando agora, dá para perceber que alguns já têm seu estilo mais bem definido, outros ainda estão tateando sua narrativa. Os que mais gostei de ler, além de Hashtag, foram:

– “No silêncio de um retrato”: da minha amiga, Nina Spim. É delicado e agridoce, pois acompanhamos o olhar e as lembranças de uma fotógrafa que se apaixonou por uma garota que conhecera numa tarde fria e inspiradora; aqui, no entanto, o amor se torna apenas uma lembrança perpetuada numa foto.

– “O livro esquecido”: um rapaz observa uma moça que sempre senta à sua frente no metrô; ela lê bastante e, um dia, esquece um livro do Fernando Pessoa no banco, despertando a curiosidade e acelerando os batimentos cardíacos dele. Conto de Priscila Louredo;

– “Doloroso, difícil, devastador”: dois garotos se conhecem ainda meninos e se apaixonam. O primeiro amor vira um relacionamento adulto, maduro, responsável…e é aí que vem a pergunta: será que o amor é só isso? Essa tranquilidade? E a loucura? A paixão correndo nas veias? Achei legal haver estes questionamentos acerca do que a gente quer quando ama alguém.

ridículas cartas de amor1Os outros contos me agradaram, mas me parecem menos consistentes. Há um que destoa um pouco dos outros pela temática meio “seriado americano” e que soou superficial em abordar uma problemática ( “Entre duas vidas”). Os outros foram mais “ok”, sendo corretinhos, mas talvez lineares demais. Talvez, nestes, eu complementaria o final ou daria algum tempero no meio. Enfim, Ridículas Cartas de Amor foi uma surpresa muito agradável. Muito bom ler gente nova, com muito a oferecer e receber visões tão diferentes de como viver o amor, como encarar seu fim, seu meio ou seu começo.

Anúncios

Resenha de “Brilhantes”, de Marcus Sakey

brilhantes RESENHA

Olá! Voltei às resenhas!

Bom, gostaria de compartilhar com vocês que passei por um período meio difícil para ler. Além do trabalho ( gente, é muita coisa pra fazer!), eu passei por um “bloqueio de leitura”: aquela situação em que você sabe que tem trocentas coisas pra ler, uma pilha de livros esperando, e… nada. Pois é. Para fechar esse meu hiatos, ainda por cima, eu tive um problema com a minha visão, o que atrapalhou bastante.

Eu tenho ceratocone, uma deformação nas córneas que altera a espessura e o formato delas. Uso lentes de contato rígidas desde 2008, e óculos apenas em alguns momentos. O problema é que nesse ano as lentes antigas me deram alergia e as novas demoraram muito para chegar. Resultado: passei mais de um mês com dor de cabeça, “forçando a vista” com os óculos e lendo num ritmo mais lento que o habitual.

Portanto, a leitura  de Brilhantes, de Marcus Sakey, foi bem arrastada. Mas a premissa do livro é muito interessante: a partir dos anos 80, crianças com poderes, ou “dons” passaram a nascer e a alterar o equilíbrio do mundo entre “normais”, ou seja, pessoas sem estes dons, e eles, os “anormais”. A trama é urbana, policial, tem momentos de tensão e perseguição policial, mas foi o lado em que o autor faz um paralelo entre a situação fictícia que criou com momentos históricos que conhecemos bastante da nossa realidade, pelo o qual mais me interessei: a perseguição nazista aos judeus e os ataques terroristas.                                                               

O protagonista é Nick Cooper, um brilhante do primeiro escalão, ou seja, que tem habilidades muito contundentes. Seu dom atua no campo da apreensão de dados comportamentais e no uso disso para evitar golpes numa briga, por exemplo, e até prever os próximos passos de quem estiver perseguindo porque, detalhe, Cooper é agente da DAR, o Departamento de Análise e Reação, criado pelo governo dos EUA. Seu trabalho é caçar brilhantes que estejam usando seus dons magníficos para o mal. Seu principal alvo é John Smith, um brilhante acusado de terríveis atos terroristas em nome da supremacia destes sobre os normais.

A gota d’água para a caçada se intensificar é quando, ao mesmo tempo em que a filha de Cooper é detectada como uma brilhante de primeiro escalão ( e estaria passível de passar toda a infância e adolescência em uma academia que prepara pessoas com esses poderes, para desespero do seu pai, pois estes lugares são horríveis), acontece um atentado muito sério na Bolsa de Valores de Nova York, e o resto, claro, não posso falar sem liberar spoilers importantes, mas posso adiantar: ele vai fazer de tudo MESMO para deter John Smith.

O que me motivou a comprar o livro foi a promessa de uma trama adulta, interessante, densa e que traria ação. Isso tudo foi-me dado, mas não do tanto que eu queria. Ao meu ver, a escrita de Sakey às vezes é muito descritiva quando não precisaria, “metida a esperta” quando ele não deveria e até os diálogos soam meio superficiais, meio clichês. Por exemplo: Gillian Flynn, a autora de Garota Exemplar, faria com certeza um trabalho superior neste quesito. Cooper é um protagonista OK, os outros personagens não me cativaram a ponto de gostar deles, nem mesmo Shannon, a garota com quem ele acaba tendo que cumprir sua missão por mais da metade do livro. Apesar de Brilhantes trazer questões políticas e atuais muito interessantes, e de as últimas sequências serem realmente bem feitas, o fato de não achar a escrita do autor tão madura quanto o tema não me fez terminar o livro com a minha satisfação saciada. Como é o primeiro de uma série, não sei se lerei os próximos…

Resenha de A Casa das Marés

casa marés

A escritora britânica Jojo Moyes é uma das de que mais gostei de ler nos últimos tempos – peguei um amor imenso por ela ao ler Como eu era antes de você.

Tratei logo de engatilhar mais leituras dela e foi uma grata surpresa ler A Casa das Marés tão rápido no início do ano. A escrita da Jojo é assim: pega você e te faz fácil, fácil, ler umas 100 páginas sem perder o fôlego. Ela alia a fluidez narrativa a um certo lirismo, boas descrições e tramas com dramas humanos palpáveis. Sua fonte de inspiração é o dia a dia, são as pessoas com suas histórias aprendendo a enfrentá-las, vencendo seus medos.

Em A Casa das Marés, a narrativa inicia na década de 1950 e depois dá um pulo para os anos 2000. No passado, conhecemos Lottie Swift, uma garota que foi criada “praticamente como filha” por uma família abastada da cidade litorânea de Merham, no litoral inglês, após Londres sofrer com os ataques da Segunda Guerra Mundial e de ela passar por maus tratos causados pela mãe e os companheiros que ela arranjava.

a casa das marésLottie fazia companhia à filha mais velha da família, Celia Holden, uma jovem bonita, atraente, sedutora e que sempre teve vontade de ir embora dali. Um dia, chegam à cidade pacata um grupo de pessoas “exóticas”, artistas e bom vivants, para morarem na Arcádia, uma casa enorme, branca, de estilo arquitetônico ousado que ficava bem perto da praia e de um penhasco.

Curiosas, as garotas vão bisbilhotar e, aos poucos, tornam-se fascinadas pelas pessoas que moram lá. Há um intenso fluxo de visitantes, e lá moram Adeline, uma atriz misteriosa, Frances, uma pintora, com quem a atriz não consegue viver um romance conforme a outra queira; George, que tratava de assuntos financeiros e Julian, um rico empresário do ramo artístico que era casado com Adeline. Lottie se apega muito a eles, principalmente após Celia ir estudar Secretariado na “cidade grande”. Morena, bela e de gênio forte, ela se sente acolhida por Adeline, que se torna sua amiga. Quando Celia volta, esta amizade e as visitas à Arcádia é que vão ajudar Lottie, pois ela se vê incorrigivelmente apaixonada pelo noivo que a “irmã” traz à tiracolo, Guy.

Lottie sofre por amá-lo, é desesperador, ao passo que ele também se vê amando a garota que seria praticamente a sua cunhada. Na casa enorme e misteriosa, Frances pinta um mural em que representa as pessoas que vivem naquele lugar, e pinta os dois jovens, capturando toda a paixão que existe entre eles, apesar de fazerem de tudo para contê-la. Porém, o inevitável acontece: eles transam, se deixam levar pelo sentimento, e tramam um jeito de fugir. Só que Celia confessa estar grávida, e, incapaz de destruir o futuro casamento, Lottie vai embora…

Devo confessar que achei a primeira parte bem amarrada, envolvente e a mais divertida da história. Guy tinha um jeito encantador mesmo, você torce pelo amor dele e de Lottie. Na segunda parte, nos dias atuais, a autora quebra o ritmo, introduzindo a história de Daisy Parsons, uma designer que acabou de ter um bebê e que foi abandonada pelo namorado. Desesperada, ela vê como uma boa saída aceitar o projeto oferecido por Jones, um ricaço que quer fazer da Arcádia um hotel de luxo.

Nesta parte, o livro começa a criar “barriga”: existem partes que poderiam ser retiradas sem que afetassem a história, e, na minha opinião, os personagens não são tão cativantes quanto os da primeira parte. Daisy é uma chorona derrotista até se aprumar, o que cansa, porque ela chora quase o tempo todo; Lottie, que vende a casa a Jones ( após tê-la herdado de Adeline), se torna muitas vezes uma velha mordaz; e os dramas pessoais da filha dela, Camille, com o marido, meio que também “enchem linguiça” em vários pontos do livros. Mas, quando a narrativa volta ao passado para esclarecer melhor as decisões da vida de Lottie, pega no ritmo, assim como quando Daisy para de chorar e decide agir.

É uma leitura rápida, envolvente; a primeira parte se mostra superior à segunda, mas mesmo assim, é um livro bonito, que fala sobre deixar a vida seguir, aprender com seus erros e tornar-se alguém melhor.

casa-das-mares-left-building

Gente, infelizmente, no último dia 14 perdemos Alan Rickman, o intérprete de Severo Snape na versão cinematográfica de Harry Potter. Ele era um ator talentosíssimo, premiado e um dos melhores em atividade na Inglaterra. Nenhum outro poderia ter encarnado tão bem a personalidade complexa e amargurada de um homem como o professor de Poções que fez tudo o que estava ao seu alcance em nome do amor que sentia por uma bruxa. Uma notícia muito triste, mas, a cada vez que assistirmos HP, celebraremos tudo o que Alan deixou e foi.

Resenhas de Contos de Nina Spim

Olá, pessoas lindas!

Bem, hoje vim fazer resenhas de dois contos de uma amiga muito querida que os dispôs para compra no Amazon: é a Nina Spim, uma escritora talentosíssima que possui uma sensibilidade característica, uma escrita cheia de símbolos e um quê de Clarice Lispector ou Lygia Fagundes Telles que faz a gente se apaixonar de cara na primeira leitura.

Bem, o primeiro conto que li foi “Caleidoscópio”, em que conhecemos Júlia e Daniel. Ele é deficiente visual e é através das impressões que consegue “pescar” do mundo que se relaciona com a garota.

Eles se conhecem desde pequenos e o fato de ele ser cego nunca foi empecilho para que a relação deles evoluísse. A cena em que ambos vão contemplar as estrelas, cada um à sua maneira, é uma das coisas mais fofas que já li:

O infinito para mim sempre foi o que nunca posso alcançar. Para Daniel, é tudo aquilo que ele não vê. E, se não vê, como pode saber o que é isso? Como pode impregnar beleza em coisas tão simples? As estrelas, por exemplo. Elas parecem diferentes agora. É porque entendo que, apesar de ilimitadas, o limite que carrego é imensurável. É o infinito do qual Daniel fala.

        – Como é o seu infinito? – pergunto.

        – É como segurar a sua mão – ele responde, tocando meus dedos com os dele – Parece fácil, mas nunca é. Sabe por quê? Porque, no fundo, todos nós temos medo do que vamos encontrar e do que vai acontecer. Ninguém está preparado para reconhecer o seu próprio infinito.”

O outro conto que que li foi o tocante “Imersão”, em que um jovem casal está tentando superar juntos perdas e dores. A ação narrativa ocorre enquanto eles estão na cama, antes de se levantar, e o narrador descreve como aqueles dias têm sido difíceis. Além de você sentir o quanto eles se amam, também pode perceber o desconforto e a vontade de seguir em frente diante do impacto de um aborto e da depressão da esposa.

“– Vai ficar tudo bem, certo?

– Vai ficar tudo bem, Lou. Vai ficar.

Não existe qualquer outra resposta, simplesmente porque não sou bom com mentiras. Ela sabe. Ela entende. Ela aceita.

E eu a aceito também.”

Então, gente, se vocês gostam de uma boa leitura, de textos sensíveis e delicados, apostando nas relações humanas e sentimentais, recomendo muito que conheçam os escritos da Nina ( que também tem um blog maravilhoso, olhem: http://ninaeuma.blogspot.com.br/)

Ah, vcs já viram a página do LA no facebook? Deem uma passadinha e uma curtida: https://www.facebook.com/pages/Livro-Arb%C3%ADtrio/346927425478431?ref=aymt_homepage_panel

Resenha: Minha Última Duquesa

minha última duquesa

Olá!

A resenha de hoje é sobre um livro que eu adorei ler por ser bastante preciso nas descrições e ambientado no riquíssimo período do final do século XIX: Minha última Duquesa, de Daisy Goodwin ( editora Fundamento).

Não conhecia escritora, mas na descrição da orelha do livro descobri  porquê ela manda tão bem na narrativa: ela trabalhou na BBC como produtora, fez filmes sobre personalidades da literatura e, hoje em dia, além de escrever, também é apresentadora de TV no Reino Unido.

Minha última Duquesa narra a história de Cora Cash, que é simplesmente “a garota mais rica da América”. Sua família construiu um império empresarial nos EUA no final do século XIX ( a história inicia-se em 1893), e ela era uma das joias da sociedade de Newport, Nova York. Sua mãe, a sra. Cash, uma mulher extremamente arrogante e egocêntrica, além de ver a filha como centro das atenções, desejava mais: que ela tivesse um título de nobreza.

Nesta época, era comum que as herdeiras americanas fossem à Europa atrás de um marido que pudesse lhes dar títulos como condessa, duquesa, marquesa ( e, quem sabe, até princesa?!). Como muitas americanas, foi montada no dinheiro que Cora e sua mãe desembarcaram na Inglaterra dispostas a costurarem relações no high society britânico para conseguirem o objetivo. Porém, Cora acaba encontrando Ivo, o duque de Wareham, da forma mais incomum possível: ela estava andando a cavalo numa corrida com outros nobres quando acabou adentrando um bosque desconhecido. Seu cavalo se assustou com o barulho e ela caiu em um forte baque, ficando desacordada.

Ela a leva para sua casa, a propriedade de Lulworth, e daí “junta-se a fome com a vontade de

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

comer”: Cora se torna duquesa, e o duque consegue dinheiro para reerguer-se. Eles realmente se apaixonam, mas nenhum esconde que seus objetivos se encaixam bem. Porém, o encaminhamento da trama não segue a linha de outros livros que estão bombando hoje em dia com esta mesma temática, pelo contrário. Minha última Duquesa é bastante realista, preciso ao ponto de deslumbrar com as descrições das pessoas, lugares, arquitetura, artigos de arte, figurinos, ao passo em que não concentra o ponto de vista apenas nos protagonistas. Bertha, a empregada jovem e negra de Cora possui muito destaque na história, seja com seus conflitos pessoais ( o racismo, a paixão que sente por Jim), seja com a relação estreita que possui com a patroa. Muitas vezes vemos as coisas sob a ótica dela. Há também no livro uma contenção de melodrama, pois Cora sofre para se adaptar ao intricado sistema de regras subtendidas da nobreza inglesa e também com a inconstância de Ivo, não percebendo algo que o leitor, sutilmente, vai se tornando consciente ao longo da leitura por várias sutilezas que a autora vai pondo na narrativa. Ao invés de cenas arrebatadas (isso só acontece no final, com direito à declaração à beira de um penhasco), o que mais vemos é Cora engolindo o choro, sacudindo a poeira e dando o melhor de si para não sucumbir.

Vi várias resenhas sobre o livro criticando-o por “frustrar as expectativas”. Não fiquei frustrada, pois logo no início da leitura, pelo tom adotado pela autora, percebi que Minha última Duquesa não seria como os livros da série Os Bridgertons ( da Julia Quinn) ou de Ligeiramente…, de Mary Balogh ( que eu também adoro, gente). A questão é que Minha última Duquesa é mais complexo ao retratar a sociedade; por isso, leiam! Gostei bastante. Se você curte livros assim, com um grande embasamento histórico, também irá ter muito prazer em ler!

citação livro