Resenha de A Casa das Marés

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A escritora britânica Jojo Moyes é uma das de que mais gostei de ler nos últimos tempos – peguei um amor imenso por ela ao ler Como eu era antes de você.

Tratei logo de engatilhar mais leituras dela e foi uma grata surpresa ler A Casa das Marés tão rápido no início do ano. A escrita da Jojo é assim: pega você e te faz fácil, fácil, ler umas 100 páginas sem perder o fôlego. Ela alia a fluidez narrativa a um certo lirismo, boas descrições e tramas com dramas humanos palpáveis. Sua fonte de inspiração é o dia a dia, são as pessoas com suas histórias aprendendo a enfrentá-las, vencendo seus medos.

Em A Casa das Marés, a narrativa inicia na década de 1950 e depois dá um pulo para os anos 2000. No passado, conhecemos Lottie Swift, uma garota que foi criada “praticamente como filha” por uma família abastada da cidade litorânea de Merham, no litoral inglês, após Londres sofrer com os ataques da Segunda Guerra Mundial e de ela passar por maus tratos causados pela mãe e os companheiros que ela arranjava.

a casa das marésLottie fazia companhia à filha mais velha da família, Celia Holden, uma jovem bonita, atraente, sedutora e que sempre teve vontade de ir embora dali. Um dia, chegam à cidade pacata um grupo de pessoas “exóticas”, artistas e bom vivants, para morarem na Arcádia, uma casa enorme, branca, de estilo arquitetônico ousado que ficava bem perto da praia e de um penhasco.

Curiosas, as garotas vão bisbilhotar e, aos poucos, tornam-se fascinadas pelas pessoas que moram lá. Há um intenso fluxo de visitantes, e lá moram Adeline, uma atriz misteriosa, Frances, uma pintora, com quem a atriz não consegue viver um romance conforme a outra queira; George, que tratava de assuntos financeiros e Julian, um rico empresário do ramo artístico que era casado com Adeline. Lottie se apega muito a eles, principalmente após Celia ir estudar Secretariado na “cidade grande”. Morena, bela e de gênio forte, ela se sente acolhida por Adeline, que se torna sua amiga. Quando Celia volta, esta amizade e as visitas à Arcádia é que vão ajudar Lottie, pois ela se vê incorrigivelmente apaixonada pelo noivo que a “irmã” traz à tiracolo, Guy.

Lottie sofre por amá-lo, é desesperador, ao passo que ele também se vê amando a garota que seria praticamente a sua cunhada. Na casa enorme e misteriosa, Frances pinta um mural em que representa as pessoas que vivem naquele lugar, e pinta os dois jovens, capturando toda a paixão que existe entre eles, apesar de fazerem de tudo para contê-la. Porém, o inevitável acontece: eles transam, se deixam levar pelo sentimento, e tramam um jeito de fugir. Só que Celia confessa estar grávida, e, incapaz de destruir o futuro casamento, Lottie vai embora…

Devo confessar que achei a primeira parte bem amarrada, envolvente e a mais divertida da história. Guy tinha um jeito encantador mesmo, você torce pelo amor dele e de Lottie. Na segunda parte, nos dias atuais, a autora quebra o ritmo, introduzindo a história de Daisy Parsons, uma designer que acabou de ter um bebê e que foi abandonada pelo namorado. Desesperada, ela vê como uma boa saída aceitar o projeto oferecido por Jones, um ricaço que quer fazer da Arcádia um hotel de luxo.

Nesta parte, o livro começa a criar “barriga”: existem partes que poderiam ser retiradas sem que afetassem a história, e, na minha opinião, os personagens não são tão cativantes quanto os da primeira parte. Daisy é uma chorona derrotista até se aprumar, o que cansa, porque ela chora quase o tempo todo; Lottie, que vende a casa a Jones ( após tê-la herdado de Adeline), se torna muitas vezes uma velha mordaz; e os dramas pessoais da filha dela, Camille, com o marido, meio que também “enchem linguiça” em vários pontos do livros. Mas, quando a narrativa volta ao passado para esclarecer melhor as decisões da vida de Lottie, pega no ritmo, assim como quando Daisy para de chorar e decide agir.

É uma leitura rápida, envolvente; a primeira parte se mostra superior à segunda, mas mesmo assim, é um livro bonito, que fala sobre deixar a vida seguir, aprender com seus erros e tornar-se alguém melhor.

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Gente, infelizmente, no último dia 14 perdemos Alan Rickman, o intérprete de Severo Snape na versão cinematográfica de Harry Potter. Ele era um ator talentosíssimo, premiado e um dos melhores em atividade na Inglaterra. Nenhum outro poderia ter encarnado tão bem a personalidade complexa e amargurada de um homem como o professor de Poções que fez tudo o que estava ao seu alcance em nome do amor que sentia por uma bruxa. Uma notícia muito triste, mas, a cada vez que assistirmos HP, celebraremos tudo o que Alan deixou e foi.

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2 comentários sobre “Resenha de A Casa das Marés

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