Resenha de Amar, Verbo Intransitivo

Oi, gente!

Sim, eu dei uma daquelas minhas sumidas ~básicas neste mês. Motivo: provas, provas e mais provas. Tanto para elaborar como para corrigir, o tempo está sendo muito curto e milhões de testes caíram sob a minha responsabilidade (vida de professora, amores).

Pois bem, mesmo assim, eu terminei de ler bravamente o livro Amar, verbo intransitivo, de Mario de Andrade. Para vocês terem noção da correria, faz um tempão que li e não conseguia fazer a resenha!

Mas, aqui está a linda!

Amar, verbo intransitivo, é um livro da chamada 1ª Fase Modernista, ou seja, pode esperar dele experimentalismos estéticos e linguísticos, que era o que os modernistas desta fase buscavam.

Ele é de autoria de Mario de Andrade, e foi lançado em 1927, causando um choque na sociedade burguesa ao tratar de um assunto polêmico: Elza, uma alemã que estava morando no Brasil, fora contratada por um rico burguês e cafeicultor como governanta. Na verdade, porém, a sua função na casa será a de iniciar sexualmente o filho do ricaço Sousa Costa, Carlos, um rapaz adolescente.

A protagonista passa a ser tratada como Fräulen e a dar lições de Alemão para as crianças da casa, com dedicação especial ao garoto, óbvio, devido ao contrato que firmara com o pai dele.

De início, Carlos não cai na sedução da governanta, e isso gera muitos embates filosóficos e psicológicos na alma da Fräulen. Aliás, muitas vezes o livro faz essa imersão no perfil psicológico dela, fazendo uma comparação com o modo alemão dela de enxergar o mundo, as suas aspirações e a forma como encarava aquele serviço “especializado”.

amar vi

A linguagem do livro é um dado à parte, pois Mario buscou aproximá-la do coloquial, reproduzindo falas e expressões da época para que os diálogos e até a narração soassem bem naturais.

Outra coisa que sempre me chamava a atenção no título deste livro era o “intransitivo”. Gramaticalmente, amar é verbo transitivo direto, o que denota o fato de que você obrigatoriamente precisa de algo ou alguém para amar. No caso de Fräulen, ela simplesmente ensina a amar, a sentir, a ter o sentimento e transformá-lo em ação. O que Carlos e qualquer outro pupilo faria a partir disso já não era mais com ela.

Em um dado momento, claro que o menino se interessa por ela e eles passam a ter encontros apaixonados e furtivos. O desenlace é previsível: quando a missão dela está cumprida, ir embora se faz necessário, para que o menino continue seu percurso nas trilhas do amor sozinho.

Fräulen é ambígua, sendo forte e amorosa, seca e doce quando preciso. Mostra as contradições de alguém que inicia a vida sexual de adolescentes ricos ( prevenção tomada pelos pais dos mesmos para que os filhos não caiam nas garras de prostitutas inescrupulosas) de forma paga, mas acredita que, com todo o dinheiro junto, ainda poderá ser feliz e ter uma vida confortável na sua Alemanha.

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4 comentários sobre “Resenha de Amar, Verbo Intransitivo

  1. Oi, amore ❤

    Sim, estou aqui o/ haha.
    Nunca li esse livro do Mário (sou mais da poesia dele do que da prosa), mas lembro que, na época que estudava literatura no cursinho, ficava com vontade de lê-lo. Tenho curiosidade para saber mais sobre essa coisa que era tradição antigamente, de um pai arrumar alguém pro filho perder a virgindade (aliás, lembrei desse livro na época que tava passando Verdades Secretas hahaha). Sei que muitas vezes eram com prostitutas mesmo. Gosto desses livros clássicos para conhecer os costumes da época, gosto muito de "viajar" para essas épocas, especialmente as brasileiras, pois creio que há muita riqueza escondida que quase ninguém conhece ou se interessa. Com certeza, tentarei ler este livro até o final da faculdade haha (tenho que aproveitar, já que tenho uma biblioteca linda, maravilhosa e diva à minha disposição).

    P.S.: muita saudade de vir aqui; mil desculpas pela ausência!

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  2. Karlaaa!!! Sumiu mesmo, humpf! Mas vida de professora é corrida demais… anyways, que bom que vc voltou! 😀
    Nossa, não sei porquê, mas eu achava que “Amar, verbo intransitivo” era um livro de poesia!!!
    Muito interessante a análise do título do livro, é bem isso que vc falou!
    Fiquei muito muito curiosa pra ler, ainda mais sabendo que a linguagem é tranquila! Recomendado então, né?
    Beijãooo, ótima resenha!
    Nati

    Curtido por 1 pessoa

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