Resenha: Minha Última Duquesa

minha última duquesa

Olá!

A resenha de hoje é sobre um livro que eu adorei ler por ser bastante preciso nas descrições e ambientado no riquíssimo período do final do século XIX: Minha última Duquesa, de Daisy Goodwin ( editora Fundamento).

Não conhecia escritora, mas na descrição da orelha do livro descobri  porquê ela manda tão bem na narrativa: ela trabalhou na BBC como produtora, fez filmes sobre personalidades da literatura e, hoje em dia, além de escrever, também é apresentadora de TV no Reino Unido.

Minha última Duquesa narra a história de Cora Cash, que é simplesmente “a garota mais rica da América”. Sua família construiu um império empresarial nos EUA no final do século XIX ( a história inicia-se em 1893), e ela era uma das joias da sociedade de Newport, Nova York. Sua mãe, a sra. Cash, uma mulher extremamente arrogante e egocêntrica, além de ver a filha como centro das atenções, desejava mais: que ela tivesse um título de nobreza.

Nesta época, era comum que as herdeiras americanas fossem à Europa atrás de um marido que pudesse lhes dar títulos como condessa, duquesa, marquesa ( e, quem sabe, até princesa?!). Como muitas americanas, foi montada no dinheiro que Cora e sua mãe desembarcaram na Inglaterra dispostas a costurarem relações no high society britânico para conseguirem o objetivo. Porém, Cora acaba encontrando Ivo, o duque de Wareham, da forma mais incomum possível: ela estava andando a cavalo numa corrida com outros nobres quando acabou adentrando um bosque desconhecido. Seu cavalo se assustou com o barulho e ela caiu em um forte baque, ficando desacordada.

Ela a leva para sua casa, a propriedade de Lulworth, e daí “junta-se a fome com a vontade de

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comer”: Cora se torna duquesa, e o duque consegue dinheiro para reerguer-se. Eles realmente se apaixonam, mas nenhum esconde que seus objetivos se encaixam bem. Porém, o encaminhamento da trama não segue a linha de outros livros que estão bombando hoje em dia com esta mesma temática, pelo contrário. Minha última Duquesa é bastante realista, preciso ao ponto de deslumbrar com as descrições das pessoas, lugares, arquitetura, artigos de arte, figurinos, ao passo em que não concentra o ponto de vista apenas nos protagonistas. Bertha, a empregada jovem e negra de Cora possui muito destaque na história, seja com seus conflitos pessoais ( o racismo, a paixão que sente por Jim), seja com a relação estreita que possui com a patroa. Muitas vezes vemos as coisas sob a ótica dela. Há também no livro uma contenção de melodrama, pois Cora sofre para se adaptar ao intricado sistema de regras subtendidas da nobreza inglesa e também com a inconstância de Ivo, não percebendo algo que o leitor, sutilmente, vai se tornando consciente ao longo da leitura por várias sutilezas que a autora vai pondo na narrativa. Ao invés de cenas arrebatadas (isso só acontece no final, com direito à declaração à beira de um penhasco), o que mais vemos é Cora engolindo o choro, sacudindo a poeira e dando o melhor de si para não sucumbir.

Vi várias resenhas sobre o livro criticando-o por “frustrar as expectativas”. Não fiquei frustrada, pois logo no início da leitura, pelo tom adotado pela autora, percebi que Minha última Duquesa não seria como os livros da série Os Bridgertons ( da Julia Quinn) ou de Ligeiramente…, de Mary Balogh ( que eu também adoro, gente). A questão é que Minha última Duquesa é mais complexo ao retratar a sociedade; por isso, leiam! Gostei bastante. Se você curte livros assim, com um grande embasamento histórico, também irá ter muito prazer em ler!

citação livro

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