Resenha de O Morro dos Ventos Uivantes

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Esse ano, uma das minhas metas literárias era reler este clássico.

Quando tinha 13 anos ( faz um tiquinho de tempo huahua), eu o li. Foi quando comecei a ler coisas um pouco mais densas, mas claro que lê-lo hoje em dia, com toda uma bagagem infinitamente superior, me deu a impressão de estar folheando O Morro dos Ventos Uivantes pela primeira vez.

Como já disse, é um clássico, tantas vezes já lido, conhecido, transformado em filme… mesmo assim, considero O Morro o morro dvu4um romance inquietante, que leva a momentos de angústia que eu não estou certa se outros autores tiveram o mesmo cacife de Emily Brontë, ainda em seu primeiro ( e único livro), de irem tão fundo na complexidade das paixões humanas.

O mais interessante do romance é o casal central: Catherine e Heathcliff são o par apaixonado e são tão doentios que o amor ali é mais uma pena imposta a ambos que uma bênção. Não há meio-termo na relação sempre movida paixão extremada, ciúmes, desejo de vingança e separações.

A versão que li foi traduzida por Rachel de Queiroz, que diz assim no prefácio:

Wuthering Heights ( O Morro dos ventos Uivantes) [foi] talvez o maior livro de ficção escrito por uma mulher desde que o mundo se conhece a arte de escrever.”

Conhecemos a desgraçada história de amor e morte de Cathy e Heathcliff de maneira meio “torta”: o sr. Lockwood acabara de alugar a casa de Thrushcross Grange, da qual o senhorio ( creio que o equivalente ao locatário) era o sombrio Heathcliff.

Tentando fazer amizade naquele local tão ermo, cercado por montes e charnecas, ele acaba sendo nada bem recepcionado na casa do seu senhorio, a taciturna Wuthering Heights. Quando volta para casa, após passar uma perturbadora noite lá, ele pega um resfriado e pede que a sua empregada, que já estava ali quando ele chegara, o explique algumas coisas que vira no outro local.

Ela é Nelly Dean, a responsável pela maior parte da narração do livro. Nascida e criada naquele lugar, ela servira à família o morro dvu6Earnshaw durante toda a sua vida e conhecia a todos aqueles personagens melhor que ninguém.

Através dela sabemos que Catherine Earnshaw cresceu livremente ao lado de Heathcliff, o garoto moreno de origem desconhecida que seu pai trouxera para casa após uma longa viagem. De todas as coisas que ainda me lembrava desta história, uma era muita clara: Catherine era, à minha visão de adolescente, um “porre”, e, dessa vez, continua sendo. Voluntariosa e mimada, ela tem um gênio muito forte, talvez justamente o que a assemelha tanto ao homem que ama mas com quem nunca conseguiu realmente ficar, fosse por orgulho, fosse por qualquer outra circunstância do destino que nunca lhes foi favorável.

A forma como a paixão crua e cega é nutrida pelos dois deve ser o que mais fascina neste livro: Cathy “é” Heathcliff, o que há entre eles é latente.

“… Meu maior cuidado na vida é ele. Se tudo desaparecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir. E se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, eu ficaria só num mundo estranho, incapaz de ter parte dele. Meu amor por Linton. é como a folhagem da mata: o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, isso eu sei muito bem. E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária. Nelly Eu sou Heathcliff. Sempre, sempre o tenho em meu pensamento. Não é como um prazer – por que eu também não sou um prazer para mim própria – , mas como meu próprio ser…” o morro dvu5

Acontece que, depois de um acesso de fúria, ela adoece e nunca mais é a mesma, morrendo algum tempo depois. Ele fica arrasado (a cena de Heathcliff sofrendo chega a doer, é muito intensa). Antes de partir, no entanto, ela tem uma filha, também chamada de Catherine, que fica aos cuidados de Edgar Linton, o pai da menina ( sim, Cathy não casa com seu amado e sim com o gente boa Linton, que aguenta todos as oscilações de humor da esposa).

O que move Heathcliff é a vingança, a sede de humilhar todos aqueles que o fizeram sofrer de alguma forma. Assim, os anos vão passando e sua obscuridade aumenta, fazendo de tudo o que está ao seu alcance para vilanizar a vida de todos a quem subjuga.

A jovem Catherine, ao contrário da mãe, mostra muito mais doçura e é uma personagem com a qual você pode criar maiso morro dvu8 empatia. No entanto, quando se torna uma adulta, sua vida superprotegida pelo pai sofre uma reviravolta e ela tem que lidar com muitos revezes, aos quais é levada, muitas vezes, pelo coração bom e generoso que tem. O final traz um alívio merecido para um novo casal ( formado por ela e Hareton, seu primo por parte de mãe que vivia em Wuthering Heights, cujo pai perdeu tudo para Heathcliff).

Após tantas idas e vindas, tantos sentimentos contraditórios e intensos, não dá para terminar a leitura deste romance sem soltar a respiração que você nem tinha percebido que havia prendido. É um livro forte, tanto quanto o amor furiosamente tenso de Catherine e Heathcliff.

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7 comentários sobre “Resenha de O Morro dos Ventos Uivantes

  1. Oi, Karla!
    Ganhei esse livro de uma amiga há uns bons cinco anos e, juro, já tentei lê-los umas três vezes e… Nada. Não consigo me animar com a leitura de jeito nenhum. A trama, em si, também não me anima muito. Ainda o tenho na estante, mas penso seriamente em doá-lo. Não sei se quero dar outra chance a ele, por ora, pois já chega de relacionamentos destrutivos/sofridos na minha vida haha xD Mas, como sempre, amei sua resenha, muito bem escrita e delineada! ❤

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  2. Karla, que legal sua resenha! Não é nem um pouco meu tipo de livro, mas quem sabe um dia, resolvo pegar pra ler. Há pouco tempo tentei e não deu certo… não sei o que acontece 😦
    Ou seja, pra mim, a sua resenha é mil vezes melhor que o que eu já li do Morro dos ventos uivantes! 😛 huahuahuahuaau
    Beijãoooo!

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  3. Oiiiiii, tudo bem??? Vi lá no facebook sua divulgação da resenha e claro que eu precisava aparecer aqui para ver, hehehe
    Eu AMOOOOOOO esse livro e amo o filme também (versão 2009, se não me engano) . É um livro muito pesado, mas muito lindo. Sou apaixonada por essa história. Tanto que no meu livro Os Sonhos de Rita, essa história é citada inúmeras e inúmeras vezes =D
    Um beijão
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br

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