Volta às aulas! Vamos falar de Literatura?

garota lendo1 Oi, gente! Hoje pretendo fazer um post um pouco diferente. Não é tag, não é resenha sobre livros, mas é meio que uma grande dica, principalmente para quem ainda está na escola. Como vocês sabem, sou professora de Português, mas beeeem antes disso já era uma admiradora de literatura, e sempre li os “clássicos” junto com qualquer outra leitura que caísse na frente. Se você ainda não teve contato com as obras que geralmente são  muito requeridas na escola, vestibulares e ENEM’s da vida, eu montei uma pequena lista com algumas obras brasileiras que são legais, interessantes, instigantes e que te ajudarão a entender um pouco das escolas literárias em que estão inseridas. Boca-do-inferno_ Ana Miranda Barroco: este é considerado o primeiro estilo literário genuinamente brasileiro, cujo maior nome foi o do poeta Gregório de Matos, que, entre outras coisas, retratava os mandos e desmandos na Bahia (então capital da Colônia). Ana Miranda, uma escritora dos dias atuais, criou o livro Boca do Inferno  ( o apelido que Gregório ganhou por falar das coisas e das pessoas de forma bem ferina), que tem o poeta e outras personalidades daquela época conhecidas vivendo um caso de suspense na Bahia do século XVI. marília de dirceuArcadismo: movimento literário que ganhou os poetas mineiros no século XVII, baseado nos ideias greco-latinos, tem em suas maiores expressões os poemas líricos e belos criados por Tomás Antônio Gonzaga, que, sob o pseudônimo de Dirceu, escrevia para sua amada musa Marília.

A Moreninha

Romantismo: esta escola teve muita repercussão no nosso país, e a adaptamos aos nossos costumes e particularidades. O primeiro romance brasileiro, aquele que realmente fez sucesso, foi A Moreninha, de dias e dias ana mirandaJoaquim Manuel de Macedo. A história é divertida e adolescente (eu costumo brincar com meus alunos que era a “Malhação” dos século XIX rsrs). Mas, dos romancistas brasileiros desta escola, não há como negar que José de Alencar foi o maior: eu adoro Cinco Minutos e A Viuvinha, Iracema e Senhora. Nossa poesia romântica também foi muito prolífica; um livro sobre um dos maiores poetas dessa época é Dias e Dias, em que outra vez a escritora Ana Miranda romanceia a vida de um poeta – dessa vez, Gonçalves Dias. collagem obras alencarinas Realismo: a escola que se opõe em tudo ao Romantismo surgiu com força no Brasil com o lançamento de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Este é um dos livros que mais li na vida, e eu ainda me surpreendo deliciosamente com a história do morto que nos conta sua vida com toda a acidez e a liberdade que o fato de não estar mais ente os vivos pode lhe permitir. Sério, Memórias é indispensável, aliás, tudo do Machado de Assis é ( e quem acompanha este blog sabe como sou fã dele). Outro livro realista que também é machadiano e que inclusive tem resenha aqui no LA é Dom Casmurro (leia, é bom demais)! Memorias-postumas-Martin Naturalismo: a literatura impregnada de cientificismo e de relatos crus pode espantar alguns, mas, mesmo tendo que seguir certos conceitos, Aluísio Azevedo criou um clássico da literatura nacional, O Cortiço, que é o mais completo romance naturalista que nós temos. o-cortico Modernismo: aqui no Brasil, o Modernismo possuiu três fases em que brilharam alguns  dos autores mais conhecidos e lidos da nossa literatura. Da 1ª fase, um dos poetas mais  queridos foi Manuel Bandeira; uma boa dica é ler sua antologia, que reúne poemas das várias  formas em que ele escreveu. Já da 2ª fase, sempre é bom indicar a leitura de Vidas Secas, de  Graciliano Ramos. De Jorge Amado, indico Terras do Sem Fim ( muitos críticos dizem ser o  melhor livro dele) e Capitães da Areia. De Erico Veríssimo adoraria que lessem Olhai os  lírios do campo ( um livro para se ler e levar para a vida), além de O Tempo e o Vento, é  claro. Não posso deixar de citar Carlos Drummond De Andrade. Da mesma forma que o Bandeira, seria bom ler uma antologia dele, para conhecer um pouco de cada fase da lírica drummoniana. Na 3ª fase, a leitura de Guimarães Rosa é indispensável, assim como de Clarice Lispector. Além dos inúmeros contos que eles escreveram, dele indico Grande Sertão: Veredas, que é uma obra que instiga muito, não é “rápida”, mas se torna uma experiência riquíssima. De Clarice, A Hora da Estrela é incrível e  já é indicado a partir do 9º Ano. Também creio que a leitura de obras de Lygia Fagundes Telles, como o ótimo As Meninas também merece destaque. livros modernistas Enfim, como disse no início: estas são dicas, indicações de alguém que gosta de ler, ensina literatura e que tem certa experiência no assunto. Todo livro, acima de análises, tem que ser lido pelo prazer. Se você resiste a ler estes clássicos que a escola sempre passa, quem sabe se não der uma chance a eles vai descobrir o quanto podem ser incríveis e marcar a sua vida?!

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12 comentários sobre “Volta às aulas! Vamos falar de Literatura?

  1. Adorei todas as indicações de clássicos e as informações sobre as escolas literárias, com certeza me utilizarei dessa fonte de informação por um bom tempo. Já li algumas dessas obras citadas no post, mas meu coração está com o Naturalismo e com Aluísio Azevedo, mesmo amando muito Machado de Assis, o primeiro acaba pegando o trono de melhor autor de clássicos da minha vida e sempre que posso estou indicando os livros dele para todo mundo!
    Post muito útil, ao qual tenho certeza que irei reler algumas vezes e indicar para uns amigos que irão prestar vestibular!
    fatalityliterario.wordpress.com

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  2. Adorei as suas indicações.. Li vários deles e adorei todos, principalmente Capitães da Areia, Terras do Sem Fim e O Cortiço.

    Do outro lado (mesmo que eu não goste mto de compartimentar a literatura), tenho um texto no meu blog em que falo sobre literatura de entretenimento e cito um pouco da literatura clássica nas escolas. Tb sou professora, só que de geografia.. Dá uma olhadinha lá =]

    http://escritaseleituras.weebly.com/blog/literatura-de-entretenimento

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  3. Amo clássicos, mesmo que alguns sejam chatinhos de ler. Ontem mesmo comprei quatro na FNAC: O Ateneu, de Raul Pompeia; A cidade e as serras, de Eça de Queirós; Memórias de um sargente de milícias, de Manuel Antônio de Almeida; e Viagens na minha terra, de Almeida Garret. Dois deles são para a Fuvest. Sendo que já tenho Memórias póstumas de Brás Cubas e O Cortiço.
    Eu realmente não entendo como tem gente que não gosta da literatura brasileira. Ok que tem alguns bem chatos, mas outros… Eu devo ser a única da minha sala que fica empolgada quando a professora de literatura fala que vai passar alguma livro clássico para lermos. É incrível!
    Beijos.

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    • Oie! Bem, eu tb acho mto importante ler os clássicos, pq eles nãpo atravessam décadas e até séculos à toa, não é? São obras representantes de um tempo, são um recorte da sua língua, e acho tb bacana a sua iniciativa. Um bju e obrigada pelo comentário 😀

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  4. Clássicos são clássicos, mas acho um pouco ruim que sejam obrigatórios na escola. Entendo o porquê são (se não fossem, muita gente não os leria nunca), mas acho que essa gente que não os leria nunca é a mesma gente que não lê nem durante a escola, sei lá… 😦
    E aí, por serem livros mais densos em termos de linguagem, acabam sendo mais um estorvo do que um prazer. O papel da escola deveria ser mais ensinar a LER do que ensinar a ler ALGO especificamente. Ou seja, passar para que os alunos leiam Harry Potter, ou Jogos Vorazes, ou A culpa é das estrelas, ou qualquer coisa do tipo – algo com que eles se identificam -, talvez fosse uma porta de entrada para a leitura, que provavelmente levaria à leitura dos clássicos em algum momento. (É uma opinião polêmica, eu sei!)
    Em tempo, sou contra esse negócio de adaptações para alunos. Acho interessante que eles leiam essas obras quando estiverem mais maduros – por exemplo, minhas leituras de “Memórias Póstumas” no Ensino Médio e na faculdade foram completamente diferentes.
    Por outro lado, foi no Ensino Médio que me apaixonei por Guimarães Rosa, gostei muito de ter lido Clarice Lispector, Machado de Assis, entre outros.
    Mas muito bom o post – adoro dicas assim!!!!! Estou adiando a leitura de “O tempo e o vento” pelo tamanho da série, porque não sei se quero ler aos poucos ou de uma vez só. Provavelmente, aos poucos.
    Hahahaha beijão!

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    • Tb concordo com vc, Nati, por isso ressalto que eles merecem ser lidos acima das obrigações. Se as escolas não sobrecarregassem tanto, tvz o resultado seria mais positivo… mto obrigada pelo comentário maravilhoso de sempre! Amo estas trocas!

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  5. Já li muitos clássicos, e o meu preferido é, como você sabe, Capitães da Areia. Mas gostei muito de, por exemplo, O Cortiço, Memórias, O Primo Basílio e Dom Casmurro! Ainda quero ler Helena, do Machadão! E Os Maias, do Eça (o Eça super me lembra o meu pai, que achava que o autor era uma mulher HAHAHAHA). E, ah, você acabou de me ensinar uma palavra nova: “prolífica” HAHA. Obrigada, Ka! Adorei a postagem, confesso que tenho muita saudade de estar metida no meio da literatura! Nunca tive ótimos e exemplares professores nessa matéria, mas sempre fui muito autodidata nessa questão. Sempre fui do tipo de ir atrás de mais e de ir além do que era ensinado na sala de aula.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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