“Persépolis”, de Marjane Satrapi

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Eu devorei o ótimo “Persepólis” em apenas dois dias na semana passada! É uma graphic novel feita por Marjane Satrapi, baseada em sua própria vida dos 10 aos 24 anos, em que o regime islâmico fundamentalista foi imposto no Irã, quando ela ainda era criança.

Marjane, ou simplesmente Marji, era uma filha única criada por pais bem cultos e liberais, que estudava no Liceu Francês persepolis (1)no Irã e levava uma vida bem comum para qualquer garota da sua idade no ano em que a Revolução Islâmica eclodiu em seu país, modificando todos os costumes das pessoas.

“O Irã é um país do Oriente Médio muito presente nos noticiários por conta de seu governante autoritário e agressivo. Muito do que o país é hoje é fruto de uma revolução ocorrida na década de 1970 que colocou os dogmas da religião islâmica acima de todos os valores democráticos comuns nos outros países do mundo.

Na década de 1970 o Irã era governado pelo xá Reza Pahlevi, o qual desenvolvia um governo concentrando os poderes em um pequeno círculo de amigos e aliados. Desde a década de 1940 o líder do país se mantinha no governo do Estado, sem se preocupar muito com as diferenças entre os pobres e os ricos, esta se intensificou no decorrer da década de 1970. O regime do xá Reza Pahlevi gerava críticas ao plano econômico, mas principalmente quanto ao seu modo autoritário de conduzir a política no país. A monarquia autoritária do xá possuía grande afinidade com o Ocidente, o que suscitava mais críticas dos opositores. O personagem com voz mais expressiva na oposição ao governante do Irã era o aiatolá Ruhollah Khomeini. O líder religioso e da oposição vivia exilado em Paris e de lá mesmo comandou as forças de oposição ao governo do xá […]. Finalmente, em 1979, o xá Pahlevi foi deposto do poder, no dia 1º de abril, e o Irã foi declarado uma República Islâmica. Reza Pahlevi fugiu do país e o aiatolá Khomeini assumiu o cargo de chefe religioso e governante do país. A Revolução Islâmica alterou profundamente a estrutura social do país, estabelecendo novas doutrinas que passavam em primeiro lugar pela questão religiosa. O processo revolucionário que inicialmente era guiado por anseios democráticos e de melhorias das condições de vida dos iranianos, resultou no governo de um chefe religioso que transformou o país em um Estado teocrático.” (fonte: http://www.infoescola.com/historia/revolucao-islamica/)

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Marji cresceu aprendendo a ter consciência política. Desde pequena lia Marx (seu livro preferido quando criança era uma ilustração em quadrinhos de “O Materialismo Dialético”). Na sua família, membros como seu avô e seu tio foram presos e torturados, e ela percebia que a própria sociedade em que vivia estava se tornando cada vez mais repressora e difícil de se lidar. Ela perdeu amigos e parentes, mortos em bombardeios ou que se mudaram para fora do país. Na adolescência, mesmo com todo o fundamentalismo em voga, ela ouvia punk, vestia jeans e tinha pôsteres de ídolos ocidentais no quarto.

Mesmo seus pais fazendo de tudo para que ela tivesse uma vida “normal”, quando tinha 14 anos Marji foi enviada por eles para a Áustria, onde poderia viver com mais liberdade, pois, além de enfrentarem os efeitos repressores da Revolução Islâmica, o Irã ainda vivia uma guerra contra o Iraque.

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Lá, a garota teve que se virar sozinha em um lugar estranho. Para mim, foi a parte mais pesada do livro, pois a protagonista passou por tantos maus-bocados em terra estrangeira que foi impossível não se sentir mal. Marji enfrentou amizades inconstantes, trocas de casa, uma desilusão amorosa braba e vício em maconha. Antes de voltar para o Irã, ela ficou sem casa nem ninguém para apoiá-la, dormindo nos ônibus da cidade, o que lhe rendeu uma tuberculose que quase a levou à morte.

Ela voltou aos 20 para seu país e viveu uma depressão por não se sentir iraniana o bastante lá, nem ocidental de verdade na Europa. Marji tenta suicídio e, após uma mal sucedida tentativa, decide mudar de vida. É quando ela encontra aquele que seria seu namorado por um longo tempo e depois, seu marido, com quem ela se arrepende de ter se casado logo após a cerimônia. A leitura é fluida, eu, pelo menos, embarquei na trama com extrema rapidez e adorei os desenhos, que em alguns momentos são bastante expressivos, além de ter achado fascinante a história de Marji. Adoro enredos que têm a história como pano de fundo e este foi muito legal, até porque eu também gosto muito de quadrinhos! persepolis5

Sabia que “Persepólis” virou um filme de animação? Ele ganhou o prêmio do júri no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de melhor animação. Confere só, se você ainda não viu:

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5 comentários sobre ““Persépolis”, de Marjane Satrapi

  1. Oi, Karla!!!!!!
    Também li Persépolis este ano (http://redemunhando.wordpress.com/2014/04/23/persepolis/) e ADORO comparar impressões de livros!
    Foi uma história que gostei, apesar de algumas partes realmente serem mais pesadas, como as torturas e a vida de Marji na Europa isolada e com muitos problemas. Acho que a linguagem dos quadrinhos acabou tornando essas partes um pouco mais digeríveis, mas não tenho certeza disso.
    Eu sabia que havia uma animação, mas não que havia ganhado prêmio em Cannes, e nem que estava disponível no Youtube! Hahahaha
    Beijos!

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    • Pois é, tb acho que a linguagem da HQ amenizou o drama dela na Europa, mas eu gostei de td 🙂
      Qto ao filme, eu ainda vou ver td, mas parece que ele bombou tb. Ah, e óbvio que vou ler sua resenha! Bjuss

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