“Eleanor&Park”

eleanor e park 23

Ainda me lembro do meu primeiro semestre na faculdade de Letras em que minha querida professora Lúcia disse, em Teoria da Literatura: “vocês nunca mais poderão ler um livro do mesmo jeito”.

Se antes eu já me atentava para detalhes mais profundos, a partir dos meus estudos mais avançados em literatura e sobre o uso da linguagem em geral, é realmente impossível não deixar passar certos detalhes. Por isso que tenho minhas eleanor e park 1razões para não apreciar livro X que todos estejam amando, por exemplo. Mas, no caso de Eleanor&Park, da Rainbow Rowell, foi impossível não me apegar de uma forma quase adolescente. E isso foi fascinante.

A história consegue ser simples e complexa ao mesmo tempo: o ano é 1986, e Park é um garoto comum, de mãe asiática e com ascendência irlandesa por parte de pai. Não chega a ser popular, mas também não é nenhum loser importunado pelos pentelhos da escola. Eleanor é uma garota gorda, alta, ruivíssima e que se veste com um estilo todo próprio. Quando precisa pegar o ônibus escolar pela primeira vez, o único lugar vazio era ao lado de Park. Ele cede, ela senta. E assim nasce uma das mais improváveis histórias de amor.

A alternância do foco narrativo entre um e outro deixa a trama intimista e fragmentada, pois além dos fatos, também transparece muito do que são e o que os personagens pensam. Achei ousado e muito interessante a autora variar e tentar algo que fosse além das narrativas mais lineares em primeira pessoa ao qual muitos livros YA estão atados.

Outra coisa que acho que pega os leitores de jeito é o resgate dessa adolescência dos anos de 1980, dessa época que ainda está viva na cultura pop e mesmo os jovens de hoje têm várias referências daquela época. Outro ponto muito a favor de Eleanor&Park é que não subestima as primeiras experiências com o amor. Tudo é brutalmente real, o medo, o frio na barriga, o “não saber onde pôr as mãos”, aquela sensação de desvario ao sentir a paixão pegando em cheio…

Eleanor é uma garota que, ao contrário da família de Park, que é estruturada, vem de uma verdadeira situação de caos. Ao voltar para casa após ter sido expulsa pelo padrasto, tudo o que ela encontra é o medo estampado na mãe e nos irmãos menores, submetidos a uma vida pobre e de sacrifícios. Park institivamente parece entender o quão solitária é a vida da menina e passa a dividir com ela revistas em quadrinhos do X-Man e de Watchmen com ela, além de fitas cassetes com canções que ele escuta e das quais ela pode gostar.

eleanor e park2Daí para um amor puro e arrebatador é um pulo. Park vê na garota ruiva, sardenta e outsider qualidades que nem ela mesma sabia que tinha, sendo uma espécie de porto seguro de Eleanor que a prende à vida mesmo com o inferno que precisa viver em casa.

A família dele passa a gostar muito dela, sabendo da situação complicada da família da garota, e é entre muito rock, HQs, descobertas típicas desta fase, enlevo com o namoro e crises no relacionamento com os pais que a história de amor se desenrola.

Teve gente que disse que não gostou do final. Ok, não é romântico como se esperava, mas é autêntico, dolorido, e, mais que isso, verossímel com a trama, sendo maduro quando poderia ter muito bem escorregado no drama fácil. Enfim, lembrando da minha professora: Eleanor&Park  não é um livro que você deve ler só com o racional, porque ele também pega em cheio seu coração.

Park

Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo.

Eleanor

Se ela tinha saudade?

Queria perder-se dentro dele. Amarrar os braços dele em torno dela feito um torniquete.

Se ela lhe mostrasse o quanto precisava dele, ele sairia correndo.

Bom, gente, como já citei na resenha, vocês sabem o quanto a música é uma coisa intrínseca á relação deles, não é? Então, eu pensei: por que não montar uma playlist com as músicas citadas no livro? Esta foi uma das partes que mais me conquistou, pois os personagens mostraram uma predileção por U2 e… bem, vocês sabem que eu sou doente fã da banda rsrsrsrs.

Estão aí: Bad ( U2), Love tear Us Apart (Joy Division), How Soon Is Now ( The Smiths) e mais! 😀

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14 comentários sobre ““Eleanor&Park”

  1. Oi, Karla, bom dia! 😀
    Sabia por cima a história deste livro e vi que muitas pessoas estavam comentando de forma positiva sobre ele, então comprei o livro na Bienal. Ainda não tive a oportunidade de ler (estou com uma fila gigantesca, e meio que perdida no caminho, hehe), mas agora fiquei ainda mais curiosa com sua resenha. Parece ser uma história realmente muito verdadeira e que retrata a vida como ela é, e tenho certo gosto por esse tipo de história. Gosto de personagens verdadeiros e humanos, que posso imaginar como alguém que eu mesma poderia conhecer, acho que me aproxima ainda mais da história. E o desenvolvimento do relacionamento deles me fez lembrar um pouco de “Como dizer adeus em robô” – se ainda não leu, leia, é uma história linda. E fico feliz por ter um fim não previsível ou clichê. Pode até não ser o que eu espero, mas se condiz com a história, sei que vou gostar. Espero ler assim que possível, aí volto para dizer o que achei 😀
    Beijos e ótima semana!

    Liah Nogueira

    Resenha de “A Garota das Nove Perucas” no ar, não deixe de conferir ❤ Confissões de um Leitor

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  2. Esse livro é muito mais muito amorzinho ❤
    Sou apaixonada pela Rainbow, li agora o Fangirl dela também ( tem renha lá no blog ) e me apaixonei ainda mais pelo seu trabalho hahaha..
    Adorei sua resenha ..

    Beijos

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  3. Se ela lhe mostrasse o quanto precisava dele, ele sairia correndo.

    Ahhh Eleanor.
    Eu me vi nela, vi minha melhor amiga no estilo dela, vi tantas coisas neste livro
    sinto saudades dele desde que terminei, mas o bom de livro sem ser trilogia é exatamente isso. ele é único e especial.
    não achei o final triste, apenas curioso, pois não se sabe o que Eleanor disse
    achava ela dura com Park muitas vezes
    mas não tem como não amar este livro e indicá-lo para meio mundo ♥

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    • Ainn, Isis! Eu tb achava a Eleanor dura, mas acho que a vida dela tb meio que a ensinou a ser assim, não é? Realmente acho este livro mto lindo e especial. Obrigada por ter vindo aqui ao LA! *_______*

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  4. Esses dois, awn! <333
    Adorei a sua resenha, me identifiquei bastante, pois fomos afetadas da mesma forma por esse livro. E aquele final? Lindo, triste e real. Não poderia ter sido diferente e fico feliz por ele.

    Love, Nina.

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