Especial Mês do Terror – “A outra volta do parafuso”

a outra volta do parafuso

Um livro que conseguiu com que eu prendesse o fôlego: “A outra volta do parafuso”, de Henry James é um clássico arrebatador, atemporal, do tipo que sempre vai atrair quem é interessado por boa literatura e ficção de mistério.

Publicado em 1898, eu digo que é uma história assombrosa em todos os sentidos ( e, ao que consta, inspirou “livremente” o filme Os Outros). a outra volta do parafuso governanta

Em uma certa reunião de amigos ao redor de uma lareira, na época do Natal, estão contando histórias de terror. O interessante é que há uma troca tripla de narradores ao longo do enredo: primeiro, há um que inicia a trama, falando-nos do ambiente e nos apresentando a um certo Douglas. A partir de então, Douglas é quem nos conta que possui cartas que foram há muito tempo entregues a ele pela ex-governanta de sua irmã, que transmitem uma terrível história em que duas crianças com as quais ela trabalhou foram fortemente atentadas por fantasmas.

A partir de então, a narrativa é tomada pela voz da governanta, da qual não sabemos o nome. Ela chegou ainda jovem para trabalhar em Bly, uma grande propriedade nos arredores de Londres. Ela fora contratada pelo tio da crianças, um “dândi”, responsável pelos sobrinhos desde a morte dos pais delas. Totalmente desinteressado nelas, ele pede a ela que nem perca seu tempo avisando-o sobre eles.

a outra volta do parafuso meninoEla é uma professora, filha de um pároco, inexperiente e impressionada com tudo, principalmente com as crianças, que acha incríveis, lindas, adoráveis, assim que chega à Bly.

Lá, ela logo faz amizade com uma empregada antiga, a sra. Grose. As crianças são Miles, um menino que volta da escola, expulso, e Flora. Ambos são belos, angelicais, espertos, perfeitos.

Como ficamos sabendo das coisas apenas pela visão da governanta, a ambiguidade das situações, falas e impressões ficam muito a cargo dela. A uma certa altura, você se pergunta: isso realmente aconteceu, ou ela imaginou? E, se não aconteceu da forma como ela descreve, então não existe explicação!

Ela começa a perceber que estranhos fenômenos estão acontecendo na propriedade. Fatos inexplicáveis e que passam, na sua concepção, a exercer influência sobre as crianças, que, de anjinhos, vão se tornando ao seus olhos seres perversos e maquiavélicos, fazendo coisas estranhas à sua idade insuflados pelos fantasmas de dois ex-empregados de Bly que tinham morrido: Quint e a srta Jessel. Segundo a sra. Grose, eles pareciam ser amantes, e as crianças eram extremamente ligadas a eles, tanto que, à medida que a leitura avança, não resta dúvidas à governanta de que eles vieram do além atentar Flora e Miles e levá-los juntos pro inferno. a outra volta do parafuso menina

Por mais que você tenha a consciência de que a narradora é parcial, não há como negar que têm passagens que são mesmo amedrontadoras. Ela chega a dizer que vê os fantasmas, sem falar que ela própria encosta as crianças na parede que chega também a dar medo.

Enfim, Henry James sugestiona, joga, e faz um thriller psicológico que tem um final surpreendente e chocante. Como já disse, eu não tenho lá muita bagagem nesse tipo de literatura, e também sou meio medrosa  (kkkkk), mas acho que no quesito suspense e sobrenatural, “A Outra Volta do Parafuso” é nota 10. Detalhe: eu tomei um susto tão grande quando acabei de ler, que tive que voltar e reler as três últimas páginas! #ValeAPena!

“Ela está aqui ?”, Miles perguntou, ofegante, seguindo com os olhos na direção das minhas palavras. Então, quando ao ouvir aquela estranha palavra “ela” eu, como um eco, exclamei-a também, “Senhorita Jessel, senhorita Jessel!” ele, com fúria súbita, respondeu.

Agarrei, estupefata, aquela suposição – uma repetição do que havíamos feito com Flora, mas isso fez-me apenas querer mostrar-lhes que a coisa era melhor ainda. “Não é a senhorita Jessel! Mas está na janela- bem à nossa frente. Está ali- aquele horror covarde, ali pela última vez!”

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8 comentários sobre “Especial Mês do Terror – “A outra volta do parafuso”

  1. Pingback: O que li de bom na Net – 3 | Livros e outras felicidades

  2. Acho que não encaro esse livro, sou medrosa! ahahaha
    E lendo os comentários anteriores, percebi que “A menina que não sabia ler” que eu tanto amei (só o primeiro, o segundo é péssimo) tem muuuuito em comum com a história de Henry James. Inspiração ou cópia?

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  3. Oi Karla! Deixa eu te perguntar… ouvi dizer que “A volta do Parafuso” é a história de “A menina que não sabia ler”, como se fosse uma recontagem da história… e como tem dois volumes de “A menina que não sabia ler” talvez o segundo volume se refira “A outra volta do Parafuso” Nossa ficou confuso? hahaha obrigada! Se puder me ajudar com isso agradeço!

    www,livrofagia.blogspot.com.br

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    • Hahaha, e é! Te juro, tomei um susto tão grande com o final que nem percebi que estava com a respiração suspensa! E eu tô tentando vencer esse meu medo de ficção de terror com este especial kkk Bjus, Nati!

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