Poesia & Poema

poetas

 

Oi! Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre poesia e poema. Não sei quantos gostam, mas eu admiro bastante e gostaria de dividir com vocês algumas produções que eu curto.

Apesar de a gente convencionar tratar poesia e poema como a mesma coisa, na verdade, a literatura faz uma divisão: poesia seria mais uma característica lírica, a forma como você trabalha as palavras. Assim, encontramos poesia em textos em prosa, em músicas, e até em outras produções artísticas. Já o poema é um formato em que trabalhamos a linguagem com poesia, e também de forma diferente da prosa, com a disposição em versos, rimas, estrofes, buscando o ritmo ( mas isso não é obrigatório).

Eu lembro que, de verdade, só fui me interessar mesmo por poemas no último ano da escola. Foi quando eu descobri Frenando Pessoa e Drummond. A partir daí, também passei a gostar de Manuel Bandeira, Mario Quintana, Álvares de Azevedo. Ensinando eu descobri mais a respeito de Vinícius de Moraes, Gregório de Matos, Cecília Meireles e Oswald de Andrade, também.

O que eu mais gosto de dizer é que a poesia me ajudou e sempre vai me ajudar a ver os melhores ângulos de tudo a minha volta. Sabe, analisar com profundidade, reflexão… ela tem um dom de nos abrir para diferentes percepções. Bem, eu vou mostrar para vocês trechos de alguns dos meus poemas favoritos, e também indicar alguns livros muito bacanas. Tomara que vocês curtam 🙂

1. Tabacaria (Fernando Pessoa – porém assinado como um dos seus heterônimos, Álvaro de Campos)

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

 À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Disparadamente, meu poema favorito! Ele é enorme, intenso, e ainda me lembro da primeira vez que o li. É do tipo de coisa que te instiga, que toda vez que você lê sempre parece trazer algo novo e especial. Este é um áudio com a narração de “Tabacaria” na íntegra:

2. Além da Terra, além do Céu ( Carlos Drummond de Andrade)

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
Drummond é in-crí-vel! Escolhi este poema porque é um dos que eu mais gosto dele, e porque lembro que foi um dos primeiros que li. Vale a pena ler tudo dele!
3. Vou-me embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira)

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que quero

Na cama que escolherei

Manuel Bandeira deve ser o poeta mais “fofo” que o Brasil já teve. Com uma obra que atravessou gerações e que não se prendeu a um único tipo, toda a beleza e a delicadeza podem ser encontradas nos seus escritos.

4. Se eu morresse amanhã ( Álvares de Azevedo)

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que dove n’alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

 Se você não conhece nada dos poemas feitos no Brasil durante a Segunda Fase do Romantismo, vai estranhar o tom sombrio, melancólico e desesperançado que marcava os trabalhos desta época. Álvares de Azevedo foi o maior expoente dessa geração que carrega o nome de “mal do século”. Ah, e eu tenho que compartilhar este vídeo com vocês! rsrss Um resumo bem “rock n’ roll” sobre este poeta tão especial:

5. Nel Mezzo del Carmin (Olavo Bilac)

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha…

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

Um dos nomes mais conhecidos da nossa poesia, Olavo Bilac mostra-se mais sensível do que a maiorias dos poetas parnasianos do seu tempo. Aliás, ele era conhecido como o “príncipe dos poetas brasileiros”.

Livros de poesia  #Recomendo

Sentimento do mundo (Drummond): terceiro livro do poeta mineiro, retrata a perplexidade perante aos anos que marcaram a Segunda  Guerra Mundial.

Toda Poesia (Paulo Leminski): “O volume resgata a trajetória poética completa do autor curitibano, desde clássicos como Distraídos venceremos e La vie en close, passando por raridades como Quarenta clics em Curitiba, até versos já fora de catálogo. Estão lá o haikai, a poesia concreta, o poema-piada oswaldiano, o slogan e a canção.” ( http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/50190)

Melhores Poemas de Fernando Pessoa ( organizado por Teresa Rita Lopes): esta é uma antologia formada pela maior estudiosa da obra pessoana.

Livro de Sonetos ( Vinícius de Moraes): organizado pelo próprio autor, a primeira vez que foi lançado possuía 35 sonetos do “poetinha”, como ele era carinhosamente conhecido. Dez anos depois, ele acrescentou mais 25.

Lira dos vinte anos ( Álvares de Azevedo): único livro a reunir os poemas de Álvares, ele é dividido em três partes e “regido”, digamos, por duas personalidades antagônicas: Ariel e Caliban.

livros de poesia

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6 comentários sobre “Poesia & Poema

  1. Olá Karla! Tudo bem?
    Amei os citados! Poesia mexe comigo de uma forma única e retrata as mais diversas e lindas expressões num ser. É muito… literalmente poético. É maravilhoso.
    Gostei dos posts e de sua forma de abordagem!
    Passarei a acompanhar o “Livro Arbítrio”
    Um beijo, e, boa semana!
    Paula, Poetisa & Literária

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  2. “Tabacaria” é maravilhosoooooooooooo, um dos meus preferidos também (estou assustada com o quanto temos em comum!)! Carlos Drummond é meu preferido; também gosto de Alberto Caeiro (mas não posso ler muito, se não acho fica repetitivo). Quero ler Leminski e Manuel Bandeira.
    As definições de “poesia” e “poema” que vc deu são perfeitas; por isso amo prosa poética tipo Guimarães Rosa! ❤

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