A Trilogia do Século

Oi, gente! Muito bom ver que cada vez mais o Livro Arbítrio vem chamando a atenção de tantas pessoas. Eu gostaria de dizer para vocês que também tenho uma página no Scribe com alguns textos ( http://wescribe.co/u/karla-kelvia/profile) e um instagram voltado para fãs da Sessão da Tarde ( http://instagram.com/classicossessaodatarde), confiram lá! 😉

Bem, e vocês sabem que eu adoro História, e já tinha expressado isso quando resenhei a biografia do Winston Churchill aqui no blog. Acho que, se não ensinasse Português, com certeza seria professora de História! Rsrsrsrs

Enfim, esse meu amor todo pelo assunto muitas vezes me faz procurar livros de ficção que também retratassem eventos históricos reais, e eis que me deparo com A Trilogia do Século, do Ken Follett, lançada aqui pela editora Arqueiro. Nunca tinha visto nada do autor, mas já pesquisei tudo sobre ele e estou me preparando para os outros livros. A forma como ele alia precisão histórica com inúmeras tramas faz com que você devore os volumes (e ele são BEM robustos). Esta resenha é a primeira em que teremos dois livros e que traz uma contribuição muito especial: meu amigo maravilhoso, Rennan Oliveira, que também é muito fã do Ken e da trilogia, topou ser uma espécie de “correspondente” do blog na Bienal de São Paulo e contar para nós como foi conhecer o autor, tirar foto com ele, além de nos adiantar um pouco sobre o livro que será lançado daqui a pouco e que fecha essa saga fascinante.

Pois bem, vamos lá: o primeiro livro da Trilogia do Século é Queda de Gigantes, em que conhecemos as famílias cujas histórias serão fio condutor de várias tramas que misturam vida pessoal com grandes eventos do século XX. Estas famílias são de várias nacionalidades diferentes, mas que em algum momento acabam se cruzando:

Dewar (norte-americanos): família de políticos tradicionais, cujo o próximo membro a se iniciar no poder é Gus.

Vyalov (russos): grande empresário russo, Josef, é dono de negócios escusos nos EUA e mora com sua mulher e a filha, Olga.

Fitzherbert (ingleses e escoceses): Conde Fitz, sua irmã, Lady Maud, a mulher dele, a princesa russa Bea.

Williams (galeses): família de forte fé protestante, são mineradores pobres e de muita convicção política. David, Ethel, Billy.

Von Ulrich (alemães e austríacos): se destaca, principalmente, Walter.

Peshkov (russos): dois irmãos completamente diferentes: Grigori e Lev.

Apesar de, à primeira vista, acharmos que parece muito difíciltrilogia-o-seculo-livro1 tantos personagens se encontrarem e desenvolverem relacionamentos, vimos que isso é possível. Todos, de alguma forma, estão interligados.

A trama deste livro se inicia em 1911, quando a Europa vivia as tensões de que poderia haver uma guerra de grandes proporções. Os Williams  vivem em Aberowen, sul de Gales. Billy, o caçula, está começando a trabalhar nas minas de carvão, com apenas 13 anos. Seu pai é um dos principais sindicalistas mineradores e sua irmã, Ethel, trabalha na casa de campo da família Fitzherbert, a luxuosa Ty Gwyn. Ela é uma moça bela e cheia de vida, além de esperta e esforçada. Logo, consegue ser governanta da casa de campo e a ter um caso com o Conde, um homem sedutor que acaba engravidando a empregada e nunca reconhecendo o filho. Conde Fitz é amigo dos tempos de escola do alemão Walter; ele não sabe, mas o rapaz e sua irmã, Lady Maud, mantêm um namoro escondido e picante. Gus Dewar acaba conhecendo a todos quando consegue trabalhar junto ao presidente dos EUA e viajar a assuntos políticos para a Europa. Paralelamente, nós sabemos como é a vida dos irmãos russos Grigori e Lev: órfãos, o primeiro é responsável, gentil, trabalhador e idealista. O segundo, boêmio, cafajeste, cheio de lábia e vive se metendo em confusão.

Primeira Guerra

Nos anos seguintes, o que vemos é a evolução da vida deles, na política, nos seus relacionamentos e os desdobramentos que a I Guerra Mundial acarreta nos seus destinos e de decisões. Neste livro, eu gostei muito da forma como a Revolução Russa foi retratada (até porque nele o Grigori é um dos meus personagens favoritos). A luta das mulheres por mais direitos, a obstinação de Ethel e o bom caráter de Gus e de Walter também foram fatores que me fizeram gostar muito de suas histórias. O prêmio “personagem pé no saco”, na minha opinião, vai para Billy, apesar de eu achar que há uma forçação de barra para ele figurar como herói na guerra.

No segundo livro, Inverno no mundo, vemos retratado o período histórico que eu mais gosto de estudar e pesquisar, os anosInverno do Mundo de 1930 e 1940 (portanto, minhas apostas nele eram bem altas). O volume começa no ano de 1933, já com a família Von Ulrich reunida. No final do livro anterior, Maud casa escondido e vai para a Alemanha com Walter, abrindo mão do luxo e da riqueza para viver com ele. A situação alemã no pós-guerra era bem complicada, e a família não vive com muitas regalias. Walter e Maud são pais de Carla e de Erik. Carla se torna enfermeira se apaixona por Werner, que é agente disfarçado dentro do exército, e a melhor amiga de Carla é a irmã dele, Frieda. Apesar de estarem justamente em um dos epicentros da guerra e estarem lutando contra nazistas (apesar de Erik se tornar um), eu não criei empatia por nenhum deles; acho que simplesmente a história destinada a eles não me “pegou de jeito”. Na Inglaterra, Conde Fitz continua de relações cortadas com a irmã; tem dois filhos: Boy, um rapaz sedutor e prepotente, como o pai, e Andy. Fitz não conhece nem faz questão de conhecer o filho que tem com Ethel, Lloyd. O rapaz mantém a tradição da família de se envolver com causas políticas e, na faculdade, acaba conhecendo e criando uma grande rivalidade com Boy, que é seu irmão e eles nem fazem ideia disso. Um dos fatores que acirrará mais ainda as hostilidades entre eles é Daisy Peshkov. Filha de Lev, que saiu fugido da Rússia, seduziu a mãe dela e roubou e matou o sogro, a garota é fútil, mimada e sonha em ser a mais badalada da alta sociedade, que torce um pouco o nariz para ela e sua família que é rica, porém, sem nenhuma tradição. Humilhada em determinado evento, ela vai embora dos EUA e fixa residência em Londres. Lá conhece e se casa com Boy, mas seu grande amor é Lloyd. Para mim, o livro é dela! Daisy cresce, sofre, cai, se levanta, e mesmo quando é bad girl no início do livro, é muito divertida! Outro personagem que eu gosto muito é o irmão bastardo dela. Greg é filho de Lev e de sua amante, que acaba se tornando cientista (e trabalha no projeto que faz a primeira bomba atômica). Ele se envolve com uma moça negra e tem um filho com ela, o que parece que vai render mais no próximo livro.

Segunda Guerra Mundial 1

Ainda em solo norte-americano, nós vemos o desenrolar da história dos Dewar. Gus tem dois filhos, Woody e Chuck, que não seguem a carreira política do pai, que se torna senador. Woody se dedica à fotografia e tem uma história de amor tão bela, que eu não vou adiantar nada sobre ela, mas é emocionante! Já Chuck se torna um marine e luta no Pacífico junto com seu namorado. A descrição de todas as batalhas são maravilhosas, mas, para mim, Ken Follett se supera ao descrever o ataque japonês à base de Pearl Harbor. #INCRÍVEL. E, claro, lembram que nós temos um núcleo russo, né? Grigori casou e assumiu como filho o bebê que o irmão Lev abandonara ainda na barriga da mãe. Faz parte da cúpula do Partido Comunista, e o rapaz, Vladimir (Volodya), também. Ele se apaixona por uma cientista bela e geniosa, Zoya. Ambos, com o decorrer da guerra, passam a questionar o sistema comunista, o que pode ser um grande problema para eles.

Ufa! Como eu disse, são muitos personagens, muitas histórias paralelas, muitos lugares, batalhas e situações para poder resumir. São livros que tiram o fôlego pela grandiosidade, a escrita fluida e direta e o tratamento honesto e imparcial, que sempre nos instiga a querer mais. Eu recomendo muito A Trilogia do Século.

Para promover o último livro da série, “Eternidade por um fio”, o autor esteve na Bienal de São Paulo. Trilogia-O-Século-3-Eternidade-Por-Um-Fio

rennan e kenEu pedi para meu amigo que é de Sampa e também muito fã do Ken Follett, o Rennan Oliveira, para contar como foi o bate-papo dele com o pessoal.

Ele chegou lá bem cedo, mas já tinham 130 pessoas na frente dele! Mesmo assim, o Rennan conseguiu uma senha. Primeiramente, passaram um vídeo de dez minutos. “Um relato do Ken Follett sobre criação, pesquisa, essas coisas.” Na palestra, Ken também contou mais detalhes sobre o livro novo, “Eternidade por um fio”: “esse se passará durante os anos 60  e começa quando o muro de Berlim foi erguido. Segundo o Ken Follett, vai ser um livro principalmente sobre a luta por direitos civis, sobre a busca dos negros por liberdade. Por igualdade. Sobre Martin Luther King.”

E o Rennan ainda conta que o escritor garante que as famílias já citadas serão as mesmas, e que disse que “gosta de dar ao leitor a chance de saber o que acontece depois do ‘Felizes para sempre’”. E uma curiosidade: vai ter uma personagem que irá para a cama com o John Kennedy (baseado em uma conversa que ele teve com uma amante real do presidente que foi assassinado).

ken follett bienal

Sobre a personalidade do escritor, o nosso “correspondente” na Bienal foi só elogios: que ele é muito simpático, “falava pausadamente, com calma, explicando o porquê de escrever, os processos de pesquisa e essas coisas”. Ele também contou que o processo criativo dele é de muita pesquisa e entrega; para fazer o último livro da Trilogia do Século foram oito meses de pesquisa, oito de escrita e mais oito de reescrita. “Ele ama o que faz, dá para perceber”, garante o Rennan. Mais detalhes que ele deu de si para os fãs: toca baixo e adora o Stephen King ( o que fez a galera ir à loucura). E sobre escrever um livro que tivesse como pano de fundo a história do Brasil? “Ele disse que adoraria, que o Brasil tem uma história fascinante, porém tem medo do que as pessoas diriam, porque ele sabe que o Brasil tem ótimos escritores que poderiam fazer isso, e ele tem medo de escrever sobre o nosso paíse as pessoas dizerem ‘ele não sabe do que tá falando, ele não viveu aqui’.”

Então, esta foi a passagem do Ken Follett pelo Brasil. Muito gente boa, com certeza só deu mais vontade ainda de nós lermos o último livro da série! Também gostaria muito de agradecer ao Rennan que, como sempre, foi um fofo comigo e topou contar as novidades da Bienal aqui para a gente.

Mais sobre “Eternidade por um fio” (http://ken-follett.com/br/)

Durante toda a trilogia “O Século”, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias – americana, alemã, russa, inglesa e escocesa. Agora seus personagens vivem uma das épocas mais tumultuadas da história, a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa, a guerra do Vietnã, o Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução… e rock and roll!

Ken Follett é do País de Gales, e autor de livros consagrados que falam de espionagem, além das séries Os Pilares da Terra e Trilogia do Século, com forte embasamento histórico.
Ken Follett é do País de Gales e autor de livros consagrados que falam de espionagem, além das séries Os Pilares da Terra e Trilogia do Século, com forte embasamento histórico.

 

De repente, sentiu uma dor insuportável nas pernas, nas costas e na cabeça. Na fração de segundo seguinte, pensou que não poderia deixar Eddie cair. Um momento depois, soube que iria deixar. Um clarão de luz o cegou.

E então o mundo se acabou.

( Inverno no Mundo, pág. 698)

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4 comentários sobre “A Trilogia do Século

  1. QUE LEGAL!!! Como boa historiadora, adorei a ideia do autor, e pelo que você disse, ele sabe desenvolver muito bem! Super interessante ele colocar também russos como protagonistas, isso é raro na literatura inglesa / norte-americana.
    Nunca tinha ouvido falar na série, mas me deu muita vontade de ler agora! 🙂
    Beijos!

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