Gabriela, cravo e canela “Eu nasci assim, eu cresci assim”…

Salivro-gabriela-cravo-e-canela-jorge-amado-5750-MLB4989018873_092013-Fbe um daqueles livros icônicos e que, de tão famosos, já residem no imaginário popular do brasileiro? “Gabriela, cravo e canela”, de Jorge Amado, faz parte deste grupo. Há pessoas que afirmam que conheceram sim Nacib e Gabriela em Ilhéus… bem, se isso é verdade, ou baseado em fatos reais, apenas o “Amado Jorge” poderia nos afirmar, mas é inegável o poder da trama e de seus personagens.

Deve-se dizer que o livro, que é de 1956, foi traduzido para inúmeros idiomas e que o mito da morena sensual, belíssima, livre e arrebatadora em sua meiguice e simplicidade encantou gente nos quatro cantos do mundo, mas que a novela que a Globo exibiu em 1975 e o filme de 1983 também foram preponderantes para deixar Gabriela cristalizada na nossa memória. Eu, propriamente, só vi a segunda versão da novela, exibida ano passado pela Globo, mas Juliana Paes, na minha opinião, ainda come poeira atrás de uma Sônia Braga brejeira. Enfim, aqui não é blog para comentar novela rsrsrrss (se bem que eu também sou fascinada pelo assunto), mas o que quero dizer é: muitas vezes, é bom ler o livro para quebrar todas impressões que temos, ler e tentar imaginar por nós mesmos a cara dos personagens, seus trejeitos (eu juro que me esforcei!).

Bem, a trama se passa na Ilhéus “rainha do Sul” da Bahia, em 1925; terra do cacau, de coronéis riquíssimos e de transição entre o modo de governar oligárquico e a modernização. Um aviso aos navegantes: quem não é experiente no mundo de Jorge Amado pode achar que a história às vezes é detalhada demais, ou, até, “política” demais.

Eu já tinha lido seis livros dele antes, muito devido ao trabalho que desenvolvi junto com uma professora de literatura na faculdade, de forma que o estilo prolixo do autor, a ambientação, o tema, os personagens (inúmeros, você precisa ficar atento), enfim, tudo em “Gabriela, cravo e canela” não me impressionou de imediato. Aliás, minto: o fato de já ter lido “Terras do Sem fim”, do mesmo autor, se mostrou um trunfo, porque “Terras” fala justamente do início de Ilhéus, então menções à Mata do Sequeiro Grande ou aos Badarós não me deixaram perdida.

Gabriela mesmo só aparece vinda maltrapilha fugindo da seca do sertão lá perto da página 100; antes, a gente acompanha um panorama da cidade, a vida sossegada e próspera do sírio Nacib, dono do bar Vesúvio. Ilhéus estava dividida entre o velho estilo de governar, baseado no coronelismo, cujo representante maior era o coronel Ramiro Bastos, e entre o novo, a modernização, representada por Mundinho Falcão. Este, um exportador de cacau que veio do Rio de Janeiro, rico e de família influente, fugia de um amor que o fizera sofrer. A trama vai seguindo principalmente o embate entre Mundinho e o coronel Ramiro e o caso de amor entre Nacib e Gabriela, mas também surgem outras histórias interessantes que apimentam as fofocas da cidade, como a do professor Josué, que se apaixona por Glória, uma prostituta bancada por um riquíssimo coronel, a de dona Sinhazinha e do dentista Osmundo, assassinados pelo coronel Jesuíno ao pegá-los na cama. Creio que a trama com maior potencial e que não foi totalmente aproveitada, que eu gostaria muito de ter visto mais, foi a de Malvina, a filha de coronel truculento que não se dobrou ao machismo do lugar e da época e foi embora viver sua vida da forma que queria.

gabrielas
Sônia Braga e Juliana Paes como “Gabriela”

Este romance, sem dúvida, faz jus à toda fama que possui. Mais uma vez, Jorge Amado criou personagens inesquecíveis, vivos, e histórias tão surpreendentes que, não é à toa, acabaram se tornando novelas, filmes e peças de teatro. Mais que isso: ele criou um pouco do próprio imaginário coletivo do país.

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7 comentários sobre “Gabriela, cravo e canela “Eu nasci assim, eu cresci assim”…

  1. Eu estou numa onda de ler clássicos da literatura brasileira, já que atualmente focamos muito só nos livros estrangeiros. Já li Dom Casmurro, amei o livro, pretendo ler mais Machado de Assis e depois partir para Jorge Amado. Adorei a resenha, me deu uma ideia de sobre o que o livro fala (não tinha nem ideia antes, hehe). Beijos!

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    • Nossa, obrigada! Amo clássicos (sou professora de literatura, daí já viu kkk), e super-recomendo Machado de Assis (Dom casmurro é um dos meus livros favoritos!); adorei sua review, semana que vem vou fazer resenha de um clássico estrangeiro (O velho e o mar) e de um livro atual, O Oceano do fim do caminho. Bjus!!

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  2. Olá, como vai? *-*
    A-D-O-R-O Jorge Amado!
    Já li uns 10 livros dele! E com certeza, meu favorito é Gabriela, cravo e canela.
    Mas, neste livro, gosto de uma personagem que aparece menos que eu gostaria, que é a Malvina. Acho-a muito autêntica.
    Gosto também -e demais- de Tereza Batista cansada de guerra.
    Jorge Amado conseguiu, sim, fazer personagens autênticos e que nos fazem sentir saudades depois da leitura, rs.
    Abraços
    http://incriativos.blogspot.com.br/

    Curtido por 1 pessoa

    • OI! Bom, eu tb adoro Jorge Amado, um amor que começou lá atrás, com Capitães da Areia, e já resultou em trabalho de faculdade e td rsrsrs valeu pelo comentário, vou sim olhar seu blog! E, como vc, tb acho que a Malvina deveria ter aparecido mais! Um abraço!

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