“Churchill”, a biografia por Paul Johnson

“Nós todos somos insetos. Mas quanto a mim, acho que sou um vaga-lume”.

Além de Português, e de tudo o que envolve linguagem, eu sou apaixonada por História, quem me conhece sabe disso. Gosto tanto do assunto que até tenho uma figura histórica favorita: Winston Churchill.  Foi levada por essa admiração que devorei esta biografia assinada por Paul Johnson, um historiador inglês que chega a comentar, em alguns trechos do livro, que chegou a conhecer Churchill e a conversar um pouco com ele.

O livro é dividido de acordo com a vida do político britânico, partindo desde o princípio: sua infância, que não foi nada de extraordinária. Filho mais velho do lorde inglês Randolph Churchill e da americana Jennie, o pequeno Winston cresceu sem ter muita atenção dos pais e acaba creditando a felicidade e os estímulos que teve naquela época à sua babá. O senso de justiça dele já aparecia quando, revoltado por sua babá ter sido despedida quando ele já estava crescido, fez questão de ajudá-la até o fim de sua vida.

O legal do livro é que você vai percebendo que sim, Churchill foi incrível, mas não porque simplesmente era genial por natureza, mas porque soube trabalhar bem as dificuldades que a vida lhe apresentou. Ele detestava matemática, mas era muito bom em Inglês; passou, então, a investir pesado no máximo de leituras que podia, tornando-se um grande escritor (foi Nobel de Literatura em 1953), além de ser considerado um dos maiores oradores da política inglesa. Esta parte da vida dele é muito interessante ressaltar: Churchill tinha amor à língua, amava escrever: publicou inúmeros artigos em jornais quando, ainda jovem, lançou-se ao combate e à cobertura de várias guerras na virada do séc. XIX para o séc. XX; seus discursos eram conhecidos por incendiarem a plateia e seus livros estão entre os mais importantes da literatura inglesa. Nem durante a Segunda Guerra Mundial ele deixou de lado seu fascínio por contar histórias! Quando a guerra acabou (e ele ajudou o mundo a se livrar do nazismo), arregaçou as mangas e escreveu suas memórias da guerra, a partir de documentos e anotações devidamente guardados, e elas foram um sucesso espetacular.

Assim, Churchill buscou a arte sempre que a vida política parecia chegar a um ponto inconciliável. Depois da derrota nos Dardanelos, na I Guerra Mundial, na qual um erro estratégico dele acarretou na perda de milhares de soldados ingleses, ele se retirou do governo humilhado pelas críticas e descobriu na pintura seu maior consolo e passatempo (coisa que ele amou fazer até o fim da vida, também). E sua casa de campo, Chartwell, foi toda reprojetada por ele, que, inclusive, fez questão de cuidar pessoalmente dos jardins e de fazer três lagos artificiais no local!

Ele conseguia aliar sensibilidade artística, que o permitiu conhecer a fundo a alma humana, com sagacidade, ousadia. Algo que também aprendi ao ler este livro foi que este político, ao invés de ficar vendo a vida passar, foi à luta (literalmente). Não teve medo de ir buscar prestígio e medalhas quando era jovem, nem de ir apagar o vexame que cometeu na I Guerra Mundial e ir parar em um campo de batalha. Também não ficou calado quando, na década de 1930, todos estavam pisando em ovos com relação à política cada vez mais belicosa de Hitler. Foi o único a dar a cara à tapa e dizer que o mundo democrático estava ameaçado pelos regimes totalitários, em especial, pelo nazismo. Não à toa, pela ousadia, o carisma, por ter o dom de dominar as palavras e por não ter medo da cara feia do Hitler, que ele se tornou o Primeiro-Ministro da Inglaterra alguns meses depois de a guerra eclodir.

Honra, coragem, determinação, resiliência, força de vontade, caráter, fé, sentido de aventura e sensibilidade: Winston Churchill merece ser conhecido e admirado. O livro de Paul Johnson, apesar de breve, cumpre muito bem o papel de mostrar o legado de um homem tão brilhante.

Algumas frases incríveis de Winstons Churchill e sobre ele:

A democracia é mais vingativa que os gabinetes. As guerras dos povos serão mais terríveis do que as guerras dos reis”. (Churchill, antes da I Guerra Mundial).

Não me incomodo com o golpe físico. São as ideias hostis que me ferem”. (Churchill, citando Hazlitt, ao ser acertado por uma cópia com capa de couro das Normas da Casa na Câmara dos Comuns, em 1912)

Quando Winston nasceu, montes de fadas desceram sobre seu berço espalhando dádivas – imaginação, iniciativa, capacidade, eloquência- mas, em seguida, veio outra fada e disse: ‘Ninguém tem direito a tantos talentos.’ Pegou-os nos braços, balançou-os e sacudiu tanto que, apesar de todos os dons concedidos, lhe foram negados bom senso e sabedoria.” (Stanley Baldwin, em 1935)

Frases inesquecíveis suas durante a Segunda Guerra Mundial:

Vitória a qualquer custo, vitória a despeito de todos os horrores, vitória, mesmo que o caminho seja longo e árduo, pois sem vitória não há salvação”. (Churchill, quando assumiu como Primeiro- Ministro em 1940)

Se você vai passar pelo inferno, não pare de andar.”

“Se Hitler invadisse o inferno, eu faria pelo menos uma referência favorável ao diabo na Câmara dos Deputados.”

“A história será gentil comigo, já que eu pretendo escrevê-la.”

Este trecho é de arrepiar, e uma das coisas mais famosas já ditas na História:

“Nós não desistiremos nem fracassaremos. Nós iremos até o fim. Nós lutaremos na França, lutaremos nos mares e oceanos, nós lutaremos com confiança crescente e uma força também crescente ao nosso redor. Nós defenderemos nossa ilha, qualquer que seja o preço. Nós lutaremos nas praias, lutaremos em terra firme, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas montanhas. Nós nunca nos renderemos!” (Churchill, Câmara dos Comuns, em 4 de junho de 1940.)

churchill
Livro de Paul Johnson Editora: Nova Fronteira
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